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Rodrigo Ferrari - Catanduva (SP)

Estação Central

6 min de leitura

Análise

Vasco: Como negociação para venda da SAF a Marcos Lamacchia provocou racha na diretoria do clube

Estação Central apurou detalhes da proposta, que ainda não foi revelada oficialmente, mas teria sido uma das causas da debandada na cúpula cruz-maltina

Rodrigo Ferrari - Catanduva (SP) • Colunista

17/08/2026 15h00

Torcida do Vasco lota o Estádio de São Januário, no Rio de Janeiro (RJ) - Matheus Lima / Vasco

⚡ Máquina Fast
  • Marcos Lamacchia negocia a compra de 90% da SAF do Vasco com aporte de R$ 500 milhões, incluindo projeto de novo CT avaliado em R$ 120 milhões.
  • A proposta gerou controvérsias pelo valor inferior ao oferecido pela 777 Partners em 2022 e pela ausência de compromisso contratual para quitar dívidas do clube.
  • Venda da SAF depende de processo judicial complexo envolvendo disputas sobre participação acionária e será submetida a aprovações internas e da Justiça.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

As negociações entre o clube associativo do Vasco e o empresário paulista Marcos Lamacchia, para a venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), seguem em um ritmo frenético, com chances imensas de serem concretizadas em breve.

LEIA MAIS: Vasco: Entenda quais atrativos convenceram o clube a buscar novo investidor para a SAF

Nos últimos dias, o provável futuro investidor apresentou, ao lado do presidente Pedrinho, o projeto do novo Centro de Treinamento (CT), obra avaliada em R$ 120 milhões.

Na semana passada, segundo informações do GE, o advogado Athos Neves deu aval para a venda de 90% da SAF vascaína a Lamacchia.

O profissional foi nomeado pela Justiça como agente de monitoramento (ou watchdog, termo usado de maneira recorrente no mercado), sendo responsável por fiscalizar ativamente a saúde financeira e as operações de uma organização em processo de recuperação judicial.

Apesar do aparente entusiasmo das partes envolvidas, essa negociação esteve longe de ser uma unanimidade dentro do clube associativo.

Na verdade, ela foi uma das causas principais do racha deflagrado em junho deste ano, quando quatro dirigentes pediram exonerações de seus cargos, ao mesmo tempo em que Pedrinho foi temporariamente afastado do comando da SAF pela Justiça, numa decisão que foi parcialmente reformada, tempos depois.

LEIA MAIS: Pedrinho é afastado do controle da SAF do Vasco pela Justiça, que nomeia interventora

SAF desvalorizou?

“Estação Central” apurou que a proposta de Lamacchia consiste em um aporte de R$ 500 milhões, pela compra de 90% das ações da SAF vascaína.

Esse valor seria dividido em cinco parcelas, com os recursos sendo direcionados integralmente ao futebol.

Demais investimentos como remodelação do CT, por exemplo, seriam parte de um compromisso verbal do enteado de Leila Pereira com a diretoria.

LEIA MAIS: Reunião da CBF sobre liga unificada mostra entrosamento entre Leila Pereira e Pedrinho

Existem dois pontos pontos nessa proposta que geraram debate dentro do clube. Um deles consiste no fato de que, no fim das contas, Lamacchia pagaria bem menos do que a 777 Partners se comprometeu a investir em 2022 para adquirir um percentual menor da SAF.

A companhia norte-americana se dispunha a pagar R$ 700 milhões para levar 70% das ações. Já Lamacchia levará 20% a mais, com um aporte R$ 200 milhões menor.

Além de o negócio ter ocorrido há quatro anos, à época em que o contrato com a 777 foi aprovado o Vasco ainda estava na Série B.

Hoje, além de disputar a Série A, o clube está mais estruturado financeiramente, por conta da recuperação judicial. A tendência seria, portanto, de que a SAF valesse mais em 2026 do que em 2022.

Vale lembrar que, no contrato com a 777, a empresa seria dona da marca e dos ativos do futebol profissional do Vasco por 25 anos, renováveis pelo mesmo prazo. Já com Lamacchia, o filho do dono da Crefisa passaria a deter de maneira vitalícia tais propriedades.

Dívida

O segundo ponto que ocasionou discussões acaloradas no clube tem a ver com as dívidas do Vasco. A proposta de Lamacchia destina todo o aporte para investimentos no futebol e não para reestruturar financeiramente a equipe.

Não haveria a obrigação contratual do investidor saldar as dívidas hoje existentes. O que existe, segundo apurou a coluna, é o compromisso verbal firmado pelo empresário de ajudar o clube a quitar esses débitos.

Outro detalhe que gerou perplexidade é que Lamacchia teria proposto a criação de uma nova pessoa jurídica, com CNPJ distinto da SAF atual.

Todos os ativos seriam transferidos para essa nova “SAF”, enquanto os passivos ficariam com a antiga, que tem o clube associativo como sócio principal.

Como está o processo de venda da SAF

Por estar em recuperação judicial, a venda da SAF do Vasco precisa ocorrer seguindo um rito conhecido como processo competitivo, similar a um leilão judicial, com direito a um edital que regra as condições e exigências para os interessados em fechar negócio.

A Almirante Participações, de Lamacchia, é hoje a grande favorita para levar a melhor nesse processo.

Vale lembrar que a Crefisa, empresa fundada pelo pai do investidor e comandada pela presidente do Palmeiras, Leila Pereira, realizou no fim do ano passado um empréstimo de R$ 80 milhões ao Vasco, que ofereceu como garantia 20% do capital da SAF.

Nessa operação, a empresa de Lamacchia pai passou a deter o poder de autorizar ou não uma eventual venda da sociedade anônima.

LEIA MAIS: Vasco fecha empréstimo com Crefisa, que terá poder de autorizar ou não venda da SAF

Algumas questões ainda seguem indefinidas e podem embolar o meio de campo nessa venda. O principal deles reside na participação real que o clube associativo detém no capital da SAF.

No acordo firmado em 2022, a 777 comprometeu-se a comprar 70% das ações da equipe, mas integralizou de fato 31%. Os outros 39% viraram alvo de uma disputa com o clube, que acionou a Justiça para passar a exercer os direitos sobre essa fatia do capital da SAF.

A empresa alega, porém, que estava dentro do prazo para realizar o pagamento e reivindica os direitos sobre essas ações.

Ainda que os 39% fiquem com o Vasco, o clube associativo passaria a deter 69% da SAF, percentual inferior aos 90% que estão sendo negociados com Lamacchia, o que pode acabar por criar um impasse judicial nessa venda.

O que diz o clube associativo

Procurado, o Vasco encaminhou nota à coluna, posicionando-se a respeito da venda da SAF. Confira o texto na íntegra:

Assim que o processo permitir, todos os detalhes do contrato serão apresentados a toda a comunidade vascaína.

Neste momento, a nossa prioridade é cumprir cada etapa na ordem correta, respeitando o caminho que a lei e o estatuto do clube determinam.

O documento passa primeiro pela Justiça, depois pelos poderes internos e pelo Conselho Deliberativo, instâncias responsáveis por analisar e validar aquilo que está sendo acordado.

Concluído esse rito, o contrato chega ao sócio e ao torcedor com a segurança de que nada foi antecipado de forma incompleta ou fora de contexto.

Nosso objetivo é que tudo seja apresentado da maneira certa e no momento certo, porque a transparência é um compromisso desta gestão e será cumprido integralmente.

Assessoria de imprensa do Vasco

Rodrigo Ferrari é jornalista da Máquina do Esporte desde 2022. Formado pela Universidade de São Paulo (USP), atua com política desde 2010

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