Em tempos de Copa do Mundo, muita coisa costuma parar no Brasil, menos a disputa pelo poder, que funciona como um moto perpétuo.
Desde que a humanidade surgiu, onde houver duas ou mais pessoas reunidas, ali estará também a política e todos os embates que ela engendra.
Nos dias que correm, o futebol brasileiro vive uma espécie de “Copa do Mundo Paralela”, em que o troféu em disputa consiste na chance de ditar os rumos do principal esporte de massas do país.
Os bastidores fervem, embora nada de concreto ainda tenha brotado nesse cenário marcado por muita indefinição.
MLS
Dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e também de clubes e de federações estaduais se reuniram, nesta semana, com executivos da Major League Soccer (MLS), nos Estados Unidos, para tentar avançar nas discussões para a criação da liga unificada no futebol do país.
A CBF tem promovido esses encontros com as principais ligas do planeta, com o objetivo de conhecer de perto as experiências bem-sucedidas por elas adotadas em suas competições nacionais.
O objetivo da entidade, nesta primeira fase do debate sobre a liga, é encontrar formas de valorizar o Brasileirão enquanto produto.
Fofoca de celebridades
Enquanto essas reuniões sobre a liga eram organizadas, houve dirigente de alto escalão que se tornou personagem de notas recorrentes em colunas de fofocas sobre a vida das celebridades, por conta de questões de ordem íntima e afetiva.
Esse movimento ganhou força na mídia, por coincidência, pouco depois da estreia um tanto frustrante da seleção brasileira diante de Marrocos, no último fim de semana.
Pode ser que a ausência de novidades sobre o time propriamente dito contribua para a proliferação de notícias sentimentais na mídia. Nunca se sabe…
Francisco Mendes
Por esses dias, quem vem ganhando holofotes no noticiário é Francisco Mendes, que é filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e vice-presidente da Federação Mato-grossense de Futebol (FMF).
O cartola, que esteve na reunião com a MLS, é ainda diretor-geral do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), órgão que é parceiro da CBF Academy.
Mendes vem tendo seu nome ventilado nos bastidores para possíveis voos mais altos na estrutura de poder no futebol do país. Mas vale observar que ainda é cedo para falar em sucessão presidencial na CBF.
Assembleia suspensa
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) atendeu a um pedido de tutela antecipada e suspendeu suspendeu a Assembleia Geral de Associados do Corinthians, que estava marcada para ocorrer no próximo sábado (20).
Entre os temas que seriam debatidos no encontro está a reforma estatutária, que poderia ampliar aos sócios do programa “Fiel Torcedor” o direito a voto na eleição do clube. O próximo pleito do Timão está previsto para ocorrer no fim deste ano.
Ponte Preta aprova SAF
Na noite desta quarta-feira (17), o Conselho Deliberativo da Ponte Preta, de Campinas (SP), aprovou por 108 votos a 20 a proposta de criação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
Um dos favoritos a assumir o negócio é o empresário João Lucas de Melo Brasio, da Melo Brasio Holding, que já patrocina o clube.
No último dia 8, ele esteve no clube e comentou sobre o interesse em se tornar dono de uma eventual SAF.

“Sinceramente, sim. É um projeto complexo, obviamente, né? Não é uma coisa que a gente faz sem pensar. Tem toda uma questão, mas se dizer, acho que para responder diretamente à pergunta é do interesse, sim. Não tenho dúvida. Gostaria muito. Seria de novo mais uma honra, mais um passo dado aqui dentro. Só que a gente tem que entender, né, quais são esses próximos passos, como que a coisa vai se desenvolver”, declarou, mas sem entrar em detalhes quanto a valores.
Para que a proposta avance, será necessária a aprovação por parte da Assembleia Geral de Sócios, que deve ter até 850 votantes.
Dívidas
Nesta semana, a Anresf, agência criada pela CBF para regular a execução do fair play financeiro, suspendeu a Ponte Preta do Programa de Apoio à Reestruturação Financeira da Série B (Parf-B), por conta dos atrasos no pagamento de obrigações trabalhistas, fundiárias e previdenciárias.
Com isso, o clube perde direito ao custeio de passagens aéreas e hospedagem, que é pago pela CBF. Para tentar readerir ao programa, o clube tenta comprovar que quitou parte dos salários atrasados do elenco.
No ano passado, a Ponte Preta chegou a atrasar por mais de 100 dias o pagamento dos atletas, que fizeram uma greve em agosto, a fim de protestar contra a situação.
Mesmo nesse ambiente turbulento, o clube conquistou o título da Série C do Brasileirão. O acesso à segunda divisão, porém, não aliviou as contas da Ponte Preta, que, atualmente, não sabe ao certo a dimensão de sua dívida, que pode chegar a R$ 500 milhões, segundo projeções mais pessimistas.
Concorrência
Descrito como hacker ético, investidor e apresentador, João Brasio é formado em engenharia da computação pela PUC de Campinas e atuou no Vale do Silício, nos Estados Unidos, prestando serviço a gigantes de tecnologia como Google.
Hoje, ele divide sua atuação na área de cibersegurança com trabalhos na mídia, como o de comentarista do programa Radar, da Times Brasil, e de jurado do reality show de empreendedorismo Elevator Pitch Brasil, da Record News.
Brasio é ainda presidente do Conselho de Administração do Golden Globes Tribute Gala Brazil, iniciativa ligada à expansão da marca.
O investidor deve ter como principal concorrente, em seu projeto de assumir a SAF da Ponte Preta, o grupo Quadra Capital, que esteve envolvido em um projeto lançado no ano passado, que tinha o objetivo de transformar o Estádio Moisés Lucarelli numa arena multiuso com capacidade para 38 mil espectadores.
Em abril deste ano, a gestora especializada em operações financeiras estruturadas e ativos de baixa liquidez topou assumir R$ 15 bilhões que pertenciam ao Banco Master e estavam sob controle do Banco de Brasília (BRB).
Nessa operação, que teve a finalidade de tentar salvar a instituição financeira do Distrito Federal (DF), a Quadra se comprometeu a quitar a vista de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões, de modo a oferecer liquidez ao BRB.
A companhia foi fundada em 2016, em São Paulo, Nilto Calixto, ex-executivo do Credit Suisse, e administra em torno de 35 fundos de investimento com mandato amplo, a maioria envolvendo ativos de risco jurídico e pouca liquidez.
Rodrigo Ferrari é jornalista da Máquina do Esporte desde 2022. Formado pela Universidade de São Paulo (USP), atua com política desde 2010
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