Tem cada vez mais gente vivendo sozinha no mundo.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada seis pessoas se sente sozinha. Essa desconexão está associada a 871 mil mortes por ano e, pela primeira vez, atinge mais os jovens do que os idosos. Trata-se de uma pandemia comportamental com raízes no digital.
Essa realidade precipita movimentos econômicos sem paralelos. Cria mercados de conexão artificial, plataformas que vendem… amigos.
Há uma necessidade de forjar encontros na porrada, e milhões de pessoas consomem esse acesso à conexão.
Clubes de corrida, academias, estádios…
E é nesse contexto que o esporte aparece como protagonista da antissolidão. É impossível existir esporte sintético.
Clubes de corrida são exemplos do universo físico que se impõe. Milhares de pessoas se encontram para correr, sim, pelo esporte, mas, acima de tudo, para encontrar gente parecida. Eles cresceram 3,5 vezes em um ano. E eventos de corrida estão em seu pico histórico.
Academias, por sua vez, deixaram de vender musculação. Basta ver casos como Equinoz, Life Time e SoulCycle. É sobre pertencimento, não sobre músculos. 57% dos consumidores ativos afirmam que a interação social é o principal motivo para entrar e permanecer em uma comunidade fitness.
Por fim, estádios são um dos últimos redutos de encontro recorrentes. Estádios são pré-digitais.
Um estudo publicado no Financial Times, baseado em décadas de pesquisas sociológicas, concluiu que os fãs de esporte são aqueles que possuem mais amizades, mais vínculos com vizinhos, mais conexões familiares.
Um resumo: “fans have more friends” (“fãs têm mais amigos”, em tradução livre).
Solução de negócios
No fim das contas, será que o maior benefício da corrida não são os quilômetros percorridos, mas sim as pessoas que encontramos na prática do esporte?
Como mercado, parece que o esporte aparece como solução sempre que o problema é grande e estrutural.
O negócio das conexões nunca esteve tão aquecido. “Third Place” (o lugar mais visitado depois da casa e do trabalho) virou estratégia de negócio.
O segmento de bem-estar (“wellness”) caminha para US$ 10 trilhões, mas não existe “wellness” sem esporte. Nesse mundo em que socializar virou negócio, o esporte definitivamente é protagonista, cria os melhores espaços e tem um potencial de consumo inestimável.
O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte
Daniel Krutman é empreendedor e publicitário. Formado em Comunicação Social, pós-graduado em Ciências do Consumo e mestre em Marketing Digital, ocupa atualmente o cargo de CEO da plataforma de vendas de inscrições Ticket Sports, além de ser fundador da The Squad Academy, hub de conteúdo para o esporte
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