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Rodrigo Ferrari - Catanduva (SP)

Estação Central

6 min de leitura

Análise

Em meio à febre verde, amarela, azul e branca, Athleta usa Pelé contra Jordan, da Nike

Camisa com a silhueta do Rei do Futebol está em vias de esgotar primeiro lote e será lançada em breve no mercado asiático

Rodrigo Ferrari - Catanduva (SP) • Colunista

04/06/2026 01h59

Camisa da Athleta, com logomarca de Pelé, e da Jordan/Nike, com a silhueta Jumpman 23 - Reprodução / Instagram (@athletabrasil e @jumpman23)

⚡ Máquina Fast
  • Athleta lança uniforme com logomarca Jordan para a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026, visando atrair público jovem.
  • Botafogo, Flamengo e Palmeiras apostam em camisas amarelas e verde-amarelas para fortalecer a identidade com a seleção brasileira.
  • Kia Joorabchian e Evangelos Marinakis tentam assumir a SAF do Botafogo, concorrendo com a GDA Luma, proponente favorita com oferta de US$ 105 milhões.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Demorou, mas chegou. Como não poderia deixar de ser em ano de Copa do Mundo, o Brasil foi invadido pela febre verde, amarela, azul e branca, cores eternizadas na canção de 1985 de Erasmo Carlos e do Rei Roberto Carlos.

Nos últimos tempos, marcas e clubes resolveram apostar pesado nas versões de uniformes em tons que remetem ao nosso “pendão da esperança”.

Uma delas resolveu apelar a outro rei (não Roberto, cuja atividade tende a se concentrar sobretudo no mês de dezembro) para encarar uma gigante internacional.

No mundo corporativo, nada é aleatório. A Athleta utilizou a silhueta de Pelé, o Rei do Futebol, para avançar em um terreno dominado pela Nike.

Neste ano, a fornecedora oficial de material esportivo da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) lançou os uniformes que serão usados pela seleção na Copa do Mundo de 2026, entre elas a camisa reserva da marca Jordan, com o logotipo Jumpman 23 em destaque, ao lado do emblema da entidade.

LEIA MAIS: Jordan Brand firma parceria com a CBF para novo uniforme da seleção brasileira

A estratégia para essa escolha consiste, entre outras coisas, em conectar a camisa da seleção brasileira a outros públicos no Brasil e no mundo, especialmente consumidores das gerações mais jovens.

Ocorre que, em um país em que o futebol é o grande esporte das massas (e não o basquete) e em que o percentual de pessoas acima de 40 anos passou de 38%, em 2010, para 46%, em 2022, uma parcela expressiva dos torcedores pode não estar tão aberta a grandes inovações.

Quem utiliza redes sociais como X ou Threads (onde as opiniões proliferam mais que pães em padarias) certamente se deparou com questionamentos envolvendo a presença da logomarca da Jordan na camisa da seleção. Por que o “Pelé do basquete” e não o do futebol?

A Athleta pode não afirmar isso oficialmente, mas a camisa com a logomarca do Rei em destaque, com direito à presença da filha Flávia no vídeo de lançamento, soube aproveitar as demandas desse público mais tradicionalista (o filme traz até um homem idoso tentando sintonizar uma transmissão no rádio a pilha).

Vendas na Ásia

A Máquina do Esporte apurou que o primeiro lote da camisa da Athleta com a logomarca de Pelé, fruto de uma parceria da empresa com a NR Sports, de Neymar Pai, deve esgotar seu primeiro lote até esta sexta-feira (5).

O segundo lote começará a ser vendido no dia 12 deste mês (lembrando que a abertura da Copa será no dia 11).

Além do Brasil, a Athleta levará a camisa de Pelé para mercados do leste asiático, como China, Japão, Taiwan e Coreia do Sul. A leva inicial contará com 10 mil unidades.

A marca é propriedade da The Brand’s Company, sediada no Japão e que fornece material esportivo para o Tokyo Verdy, da J. League.

Clubes e marcas investem nas camisas amarelas

Por mais que as regras de direitos intelectuais e licenciamento tenham se endurecido nos últimos anos, ainda existem muitas brechas para que clubes e marcas explorem a empolgação em torno da Copa do Mundo.

LEIA MAIS: Não é sobre a Copa do Mundo

Sobretudo porque, no fim das contas, é quase impossível para uma empresa, entidade ou agremiação reivindicar algum tipo de exclusividade sobre o uso das cores do lábaro estrelado.

Nesta quarta-feira (3), por exemplo, o Botafogo lançou, em parceria com a Mizuno, uma camisa amarela com detalhes em verde, mas mantendo o tradicional escudo alvinegro da Estrela Solitária.

A estratégia de marketing se baseia no fato de que o clube foi o que mais cedeu jogadores à seleção brasileira na história, com 48 no total, incluindo craques como Jairzinho, Nilton Santos, Didi e Garrincha.

Na semana passada, o Flamengo havia apresentado uma camisa verde e amarela com a Adidas, cujo desenho remete imediatamente a modelos clássicos usados pela seleção brasileira, como na Copa de 1978, quando as três listras da marca se destacavam no uniforme do time canarinho.

E não se pode esquecer do Palmeiras, que lançou no ano passado um uniforme verde e amarelo com a Puma, em uma alusão ao dia em que o time alviverde representou a seleção brasileira no amistoso de inauguração do Estádio do Mineirão, em 1965, derrotando o Uruguai por 3 a 0.

“Ave Fênix!”

Um dos grandes nomes por trás do título do Corinthians no Brasileirão de 2005, o empresário iraniano Kia Joorabchian está vivendo seu momento de fênix no país do futebol.

Muitos poderiam julgar que sua empreitada na “pátria de chuteiras” teria chegado ao fim, após a derrocada do projeto da MSI, que culminou com o rebaixamento do time paulista em 2007.

Mas o investidor está aí para provar que existe sempre espaço para quem deseja se reinventar no universo do empreendedorismo nacional.

De acordo com uma reportagem publicada no site de O Globo, Kia está ao lado do grego Evangelos Marinakis (dono do Nottingham Forest, da Premier League), em uma tentativa de assumir a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo, após a saída do norte-americano John Textor.

Além dos nomes difíceis de se escrever e soletrar, a dupla de candidatos a donos do Glorioso têm em comum a forte presença no futebol inglês.

Marinakis, que já teve seu nome ventilado em uma tentativa de aquisição de um percentual da base do São Paulo (situação que corroeu a popularidade do ex-presidente Julio Casares), é muito próximo a Textor.

Apesar de o grego ter a “Ave Fênix!” como sócio e contar com a simpatia de Textor, a GDA Luma segue como favorita a assumir a SAF botafoguense, com a proposta de realizar um aporte de US$ 105 milhões, além de quitar a dívida em recuperação judicial, que perfaz um total de R$ 1,28 bilhão.

Vale lembrar que o passivo da Estrela Solitária está, hoje, na casa dos R$ 2,5 bilhões, uma das maiores entre os clubes da Série A do Brasileirão.

O próprio Textor apresentou uma proposta de recompra da SAF do Botafogo, por US$ 95 milhões, mas as chances de ela ser aceita pelo clube associativo são ínfimas.

Rodrigo Ferrari é jornalista da Máquina do Esporte desde 2022. Formado pela Universidade de São Paulo (USP), atua com política desde 2010

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