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Rodrigo Ferrari - Catanduva (SP)

Estação Central

6 min de leitura

Análise

Polymarket surfa na disputa presidencial com status de pesquisa eleitoral, mesmo proibida no Brasil

Perfil da empresa do mercado de previsões ficou indisponível no Instagram, após solicitação feita pelo Ministério da Fazenda

Rodrigo Ferrari - Catanduva (SP) • Colunista

23/09/2026 20h04

Polymarket promove apostas sobre o resultado das eleições no Brasil, o que é proibido pela lei do país - Reprodução

⚡ Máquina Fast
  • Polymarket é proibida de operar no Brasil por oferecer apostas em eventos não econômicos, incluindo eleições presidenciais.
  • Perfil da Polymarket no Instagram foi derrubado após pedido do Ministério da Fazenda e denúncias do TSE e AGU.
  • Empresa enfrenta ações judiciais nos EUA por propaganda enganosa e opera parcerias com grandes ligas e atletas.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Proibida de operar no Brasil desde abril deste ano, em decorrência de uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) que barrou a criação de derivativos baseados em eventos reais de natureza não econômica (ou seja, apostar em resultados de eleições, reality shows, eventos climáticos ou acontecimentos envolvendo celebridades), a Polymarket ganhou status de coadjuvante de peso na disputa presidencial do país.

Ao longo das últimas semanas, a empresa do mercado preditivo, com sede nos Estados Unidos, divulgou fartamente apostas envolvendo o resultado da eleição presidencial brasileira.

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Permitir que as pessoas apostem nesse tipo de evento, que é proibido pela regulamentação atualmente em vigor do mercado de apostas brasileiro, já seria um problema grave.

Ocorre que esse tipo de aposta promovido pela Polymarket tem ido a além e servido para alimentar a própria narrativa eleitoral construída por apoiadores de determinadas candidaturas.

A plataforma preditiva utiliza os tradicionais gráficos em linha para apresentar a evolução nas cotações do evento objeto da aposta.

Eles acabam ganhando aparência muito similar ao modo como são apresentadas pela mídia as pesquisas eleitorais, que utilizam metodologia científica rígida e servem, elas sim, para medir a opinião do eleitorado, no período que antecede o pleito.

Desde que a Polymarket passou a promover as apostas sobre quem ganhará a eleição presidencial no Brasil, redes sociais como X e Threads passaram a ser inundadas por posts que apresentam os gráficos de apostas da empresa como se fossem uma tendência real de voto do eleitorado.

Usuário do Threads compartilhou post equiparando cotação da Polymarket a uma tendência real de voto – Reprodução / Threads

Perfil derrubado no Instagram

Desde esta quarta-feira (23), o perfil da Polymarket em português está indisponível no Instagram. A derrubada da conta atendeu a um pedido do Ministério da Fazenda, que havia sido acionado pela Advocacia-Geral da União (AGU), a qual havia recebido denúncia do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acerca dos abusos cometidos pela plataforma.

O argumento utilizado pela pasta para pedir a derrubada do perfil consiste no fato de que ela vinha oferecendo uma modalidade proibida de apostas, além de não possuir autorização legal para operar no país.

Ao UOL, a Polymarket alegou “que respeita as autoridades e cumpre as determinações em cada jurisdição, além de dizer que permanece aberta ao diálogo com os reguladores brasileiros”.

Vale lembrar que, em julho deste ano, a empresa tornou-se alvo de uma representação feita pelo Sleeping Giants Brasil e a Imagem na Ação, por utilizar influenciadores e páginas de fofoca de celebridas para promover apostas preditivas, que são ilegais no território brasileiro.

A polêmica envolvendo a Polymarket e seu uso escancarado para influenciar as eleições presidenciais ocorre no momento em que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição, resolveu endurecer o discurso contra as bets em geral, cogitando inclusive baixar uma Medida Provisória para proibir todo o setor, medida que pode atingir mesmo as apostas esportivas atualmente autorizadas.

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Polêmica no exterior

Não é apenas no Brasil que a Polymarket fatura permitindo que as pessoas apostem em eleições (e depois revendam esses palpites, como se fossem ações de uma empresa).

Um dos tópicos mais populares da plataforma na atualidade envolve a disputa pelo Senado do Estados Unidos, que pode definir o futuro da gestão do presidente Donald Trump.

Cotações da eleição do Senado dos Estados Unidos na Polymarket – Reprodução

Usuários da Polymarket podem ainda torrar seu dinheiro palpitando sobre temas como quando ocorrerá o eventual cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã ou mesmo se autoridades norte-americanas reconhecerão em breve a existência de extraterrestres (a opinião predominante é de que isso será após 31 de dezembro deste ano).

Na semana passada, o Ministério Público do estado do Missouri ordenou que várias empresas de mercado de previsões suspendam todos os “contratos de eventos esportivos”, segundo um comunicado da procuradora-geral Catherine Hanaway.

Polymarket, Kalshi, Crypto.com, Novig, Underdog e Robinhood foram orientadas por meio de cartas a deixar de oferecer contratos para eventos esportivos.

Apresentar-se como empresa de previsão representa uma brecha encontrada por determinadas plataformas para poderem operar em mercados nos quais as apostas são proibidas ou restritas.

Com isso, elas conseguem vender seus serviços sem estarem sujeitas à regulação que abrange bets licenciadas em cada estado norte-americano.

No Missouri, uma casa de apostas regulamentada paga US$ 500 mil pela taxa de outorga estadual, válida por cinco anos, além de 10% de imposto sobre o GGR, ao passo que as plataformas preditivas não recolhem tributos locais.

A Polymarket se defende as acusações, porém, argumentando que “mercados de previsão são regulados pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC) sob um quadro federal, e não um mosaico de regras estaduais”.

Propaganda enganosa

No começo deste mês, a empresa tornou-se alvo de uma ação coletiva movida no Distrito de Columbia (que abriga a capital Washington), acusada de usar influenciadores para compartilhar vídeos em que simulam ganhar grandes somas de dinheiro no mercado de previsões.

A plataforma utilizada nesses conteúdos seria, segundo os autores da denúncia, um ambiente que simulava o site da Polymarket, mas que foi construído para criar a falsa narrativa para os consumidores.

O suposto esquema de publicidade enganoso foi descoberto em junho deste ano, após uma reportagem publicada pelo The Wall Street Journal.

Apesar das polêmicas, a Polymarket tem fechado contratos de peso, caso da parceria com a LaLiga para a América do Norte, firmada em abril de 2026. Mês passado, ela fechou acordo com LeBron James, que se tornou garoto-propaganda da empresa na disputa com a concorrente Kalshi.

Além desses dois contratos, a Polimarket possui parcerias com MLB, NHL, MLS e Serie A, além de franquias como New York Rangers e New York Yankees.

Rodrigo Ferrari é jornalista da Máquina do Esporte desde 2022. Formado pela Universidade de São Paulo (USP), atua com política desde 2010

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