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Diego Bartolo, especial para a Máquina do Esporte

Diego Bartolo

9 min de leitura

Análise

Quando o tributo vira ouro: O caso Google x Instituto Athlon

Foram 12 medalhas em Paris 2024, 2,6 milhões de pessoas impactadas e R$ 2 milhões direto no bolso dos atletas; tudo muda quando uma empresa trata a Lei de Incentivo ao Esporte como tese estratégica, e não como obrigação fiscal

Diego Bartolo, especial para a Máquina do Esporte • Colunista

18/05/2026 06h24

Google é patrocinador do Instituto Athlon desde 2023, via Lei de Incentivo ao Esporte - Arte / Diego Bartolo

⚡ Máquina Fast
  • Parceria entre Google e Instituto Athlon revolucionou o uso da Lei de Incentivo ao Esporte, focando em suporte técnico e condições para atletas paralímpicos, resultando em 12 medalhas em Paris 2024.
  • Além do desempenho esportivo, o projeto gerou impacto social significativo, distribuindo R$ 2 milhões em bolsas, empregando 72 atletas e impactando mais de 2,6 milhões de pessoas com ações inclusivas.
  • O sucesso da iniciativa se deve a um compromisso de longo prazo, investimento na base e alinhamento entre patrocínio e produto, mostrando que estratégia e tese são essenciais para transformar incentivos em legado.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Na minha coluna de estreia, coloquei o holofote em um problema: lei boa, projetos sobrando, mas a maior parte das empresas ainda tratando a Lei de Incentivo ao Esporte (LIE) como obrigação fiscal. Hoje, quero virar a moeda. Porque, ao mesmo tempo em que o mercado patina, há casos que mostram exatamente como se faz. E um dos mais elegantes é a parceria entre o Google e o Instituto Athlon, em São José dos Campos (SP).

Se o Athlon fosse um país

Começo pelo dado que mais incomoda. Se o Instituto Athlon fosse uma nação independente nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024, teria terminado em 41º lugar no quadro geral de medalhas, à frente de países como Finlândia, Portugal e Suécia. Foram 21 convocados (a maior delegação institucional da história), 12 medalhas (2 ouros, 2 pratas e 8 bronzes) e a confirmação de que uma instituição sediada no interior paulista pode rivalizar com sistemas esportivos nacionais inteiros.

Para efeito de comparação, em Tóquio 2020, o mesmo instituto trouxe uma única medalha de bronze. A virada não saiu do nada.

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O ponto de inflexão: O incentivo do Google

Em 2023, via Lei de Incentivo ao Esporte, o Google entrou como patrocinador do Athlon em uma proposta que, à primeira vista, é o oposto da lógica do patrocínio “marca-bandeira”: nada de logotipo dominando o uniforme, nada de palco. O recurso foi para o que ninguém vê: equipe multidisciplinar, treino adaptado, infraestrutura, suporte clínico e alimentação. O básico bem-feito que separa a rotina de um clube de bairro da operação de um centro de alto rendimento.

O resultado começou a aparecer em Paris 2024 e atravessou 2025 com o título inédito de “Campeão Mundial de Clubes de Goalball”, conquistado na Finlândia. Não foi sorte: o volume de treinos saltou de 1.783 (em 2023) para 2.429 (em 2025), e o total de medalhas conquistadas pelos atletas da entidade nesses três anos passou de 2.731.

O ROI que não cabe no balanço

A tentação de ler o caso só pelo quadro de medalhas é grande, mas o impacto fica raso. O que faz dessa parceria material de manual é o que aparece abaixo da linha do pódio:

  • R$ 2 milhões distribuídos diretamente aos paratletas via Bolsa Auxílio Atleta entre 2024 e 2025;
  • 72 atletas contratados por empresas parceiras, o que tirou esse contingente da fila do Sistema Único de Saúde (SUS) para um convênio médico privado;
  • Mais de 600 pessoas com deficiência atendidas no projeto, somando-se atletas e alunos;
  • 2.605.524 pessoas impactadas pela comunicação do projeto entre 2023 e 2025, em 3.180 publicações;
  • 61 vivências e palestras em escolas e empresas, levando a “pedagogia do exemplo” para fora da quadra;
  • Programa ESG (Ambiental, Social e Governança, na sigla em inglês) estruturado: 900 mochilas feitas com material reaproveitado por uma cooperativa de mulheres, 1.400 squeezes biodegradáveis para eliminar copo plástico, registro no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e criação de Conselho de Atletas e Comitê de Ética.

É aqui que mora a diferença. Quando o critério para investir deixa de ser “quantos uniformes estamparão minha marca?” e passa a ser “quantas vidas mudaram, quantos treinos foram custeados, quantas famílias saíram da vulnerabilidade?”, o ROI (Retorno Sobre Investimento, na sigla em inglês) muda de natureza. Vira impacto contínuo, mensurável e auditável, exatamente o que o “S” do ESG pede.

O Jogo do Impacto
Transformando incentivos em legado olímpico
Google × Instituto Athlon
🏅
+500
Atletas Apoiados
De base até alto rendimento em todo o Brasil
📈
R$ 2M+
Investimento Total
Em bolsas, tecnologia e formação esportiva
🌍
15
Estados Alcançados
Presença em todas as regiões do país
🏆
Paris 2024
Meta Principal
Preparação focada nos Jogos Olímpicos
📅 Linha do Tempo
2022
Início da parceria
Assinatura do acordo estratégico
Google e Instituto Athlon formalizam parceria com foco em impacto social esportivo.
2023
Expansão do programa
Plataforma digital e bolsas ampliadas
Lançamento da plataforma de gestão de atletas e duplicação das bolsas de incentivo.
2024
Resultado olímpico
Atletas nos Jogos de Paris
Representantes do programa competem em Paris, consolidando o legado do projeto.
🎯 Pilares do Programa
01
💻
Tecnologia
Ferramentas Google para análise de desempenho e gestão de carreira dos atletas.
02
📚
Educação
Capacitação profissional e acadêmica para além das pistas e quadras.
03
🤝
Rede de Apoio
Mentores, parceiros e comunidade engajada no desenvolvimento do atleta.
04
🏅
Alto Rendimento
Suporte financeiro e logístico para competições nacionais e internacionais.

Por que esse caso é manual?

Diante do que tenho visto no mercado, três escolhas explicam o resultado:

  • Horizonte longo, não calendário fiscal

O Google entrou em 2023 e renovou o compromisso até 2025. Isso permite ao Athlon planejar um ciclo paralímpico inteiro em vez de viver o trimestre. Em um mercado em que mais da metade dos aportes corporativos da LIE caem nas últimas semanas do ano, esse simples gesto de previsibilidade já é uma vantagem competitiva para o projeto patrocinado.

  • O recurso foi para a base, não para o palco

Patrocínio convencional gosta de visibilidade imediata, já LIE bem-desenhada compra continuidade. O Google escolheu custear equipe técnica, suporte psicológico, assistente social e treinamento. Resultado: pódio depois.

  • O patrocínio fala a mesma língua do produto

Tecnologia, acessibilidade e inclusão são tese de produto do Google há anos. Patrocinar paradesporto não é “agenda social paralela”; é coerência. Quando o patrocínio fala a mesma língua do negócio principal (core business), a história se conta sozinha. Não precisa de contratação de influenciador para se sustentar.

O contraste com o mercado

Volto a um dado já comentado por aqui: cerca de R$ 385 milhões deixados na mesa anualmente porque empresas que já dominam a Lei Rouanet ignoram a LIE. O caso Google x Athlon mostra qual é o tamanho do que está em jogo nesse intervalo. Não estamos falando de “ajudar o esporte”. Estamos falando de transformar um tributo já devido em legado mensurável, ou seja, em medalhas, em empregos, em qualidade de vida de paratleta, em narrativa de marca.

Conclusão

A primeira coluna fechou com a pergunta sobre o que ainda trava as empresas. Esta fecha com outra: se o Google conseguiu colocar 12 medalhas paralímpicas na vitrine usando o mesmo imposto que sua empresa já pagaria, o que ainda está te impedindo?

Capítulo simples: não é falta de lei, não é falta de projeto, não é falta de orçamento. É falta de tese.

E tese, como o Instituto Athlon prova, vira pódio.

O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte

Diego Bartolo é cofundador e diretor de marketing e de vendas da Incentiv, plataforma especializada em captação de investimento incentivado e de patrocínio. Formado em Administração pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e com MBA pela Universidade de São Paulo (USP), possui 15 anos de experiência na área e já trabalhou com marcas como Google, Nubank, Siemens e Coca-Cola

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