Redes sociais podem voltar a ser "só" segunda tela na Copa do Mundo

Mundial pode ter menor exposição de vídeos nas redes sociais pela falta de acordo de transmissão

Faltando menos de quatro meses para o início da Copa do Mundo FIFA Catar 2022, a expectativa para o torneio segue crescendo entre os torcedores de todo o planeta. Como comentei por aqui em maio, a organização do Mundial tem feito um ótimo trabalho para mostrar positivamente o país-sede e atrair os fãs – especialmente os latino-americanos. Agora é hora de olhar para o conteúdo que provavelmente poderá ser consumido pelos brasileiros durante o torneio nas redes sociais.

Até o momento, não houve negociação de sucesso com nenhuma das redes sociais para o território brasileiro. No país, apenas a Globo tem os direitos digitais (sem exclusividade). O grupo poderá exibir as partidas e todo o pacote de imagens de vídeo do evento nas suas plataformas próprias, como os portais G1 e Globo Esporte; além do Globoplay, serviço de streaming pertencente à emissora.

Para quem se acostumou a consumir conteúdo de vídeo ao vivo ou gravado das partidas também em redes sociais, como acontece nos campeonatos organizados por CONMEBOL e CBF, por exemplo, a Copa do Mundo do Catar pode forçar uma mudança momentânea de comportamento. Sem o sucesso nas negociações entre a FIFA e as plataformas, o consumo digital das transmissões ao vivo, highlights, gols, etc, será restrito aos canais próprios da Globo no Brasil – e talvez ao FIFA+.

Se o atual cenário for confirmado, as redes sociais devem voltar temporariamente ao papel de ser 100% uma segunda tela. E isso não significa exatamente uma perda significativa em audiência e engajamento das plataformas em relação ao principal evento de futebol do mundo. Com muito dos bastidores exibidos por canais de seleções e atletas, além da mais do que certa enorme atuação de influenciadores, não há dúvida que a Copa do Mundo vai dominar o Twitter, o Instagram, o TikTok, o Facebook, o YouTube, a Twitch, etc.

Um exemplo de como o tema deve ganhar força com bastidores e influenciadores são os Jogos Olímpicos de Tóquio, disputados no ano passado. Mesmo sem conteúdo em vídeo da própria competição nas redes sociais, a conversa durante o evento também foi muito pautada por quem brilhou nas plataformas digitais mais populares. A skatista Rayssa Leal e o jogador de vôlei Douglas Souza foram os melhores exemplos disso.

A 115 dias do pontapé inicial do Mundial do Catar, a chance de termos vídeos dos jogos ao vivo e/ou gravados nas redes sociais é cada vez menor. Baseado em exemplos como os citados no parágrafo acima, acredito que as redes sociais são a parte que certamente terão menos a perder. Os já acostumados fãs; e a própria competição com os seus patrocinadores, que deixarão de estar ainda mais próximos dos torcedores – especialmente os jovens –, talvez sejam os maiores prejudicados.

André Stepan é jornalista, pós-graduado em marketing esportivo, especialista em comunicação e conteúdo digital, e escreve mensalmente na Máquina do Esporte