A Polícia Federal (PF) instituiu, por meio da portaria número 305, o Grupo de Investigação para Repressão à Manipulação de Resultados Esportivos, Fraudes em Apostas e Crimes Correlatos – Base Apostas. O documento é assinado pela delegada Virgínia Rodrigues Vieira, chefe de gabinete substituta da direção-geral da PF.
Segundo a Máquina do Esporte apurou, a criação do grupo partiu de conversas que passaram por Ministério da Fazenda e Ministério do Esporte, mas que foram centralizadas pela PF.
A iniciativa ocorre em alinhamento com a Política Nacional de Combate à Manipulação de Resultados e após dados do Governo Federal indicarem que a capacitação policial contribuiu para a queda de 80% nas denúncias relacionadas ao setor.
O novo grupo terá como finalidade a produção de inteligência e a investigação de crimes ligados à manipulação de competições esportivas, exploração ilícita ou fraudulenta de apostas esportivas, lavagem de dinheiro, corrupção privada, estelionato e associação criminosa.
A Base Apostas possui caráter institucional e duração inicial de um ano, prazo que pode ser prorrogado após reavaliação da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor/PF).
Administrativamente, a unidade será subordinada à Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro (CGRC/Dicor/PF).
Para se ter uma ideia do grau de confidencialidade dessas investigações, as instalações físicas desse grupo de investigação serão em um local reservado e velado. Sabe-se apenas que sua localização será no entorno do Distrito Federal. Tudo para garantir a segurança e a confidencialidade das operações.
Diretrizes
A atuação da unidade priorizará o enfrentamento de organizações criminosas e observará diretrizes como a utilização de recursos investigativos extraordinários e a identificação de lideranças, intermediários e financiadores desses tipos de delitos.
O foco das investigações incluirá a recuperação de ativos por meio da apreensão e sequestro de bens para a descapitalização desses grupos criminosos.
Além das investigações diretas, o grupo da PF atuará na cooperação policial internacional e na articulação com órgãos reguladores e entidades esportivas. Caberá à Base Apostas a elaboração de relatórios semestrais sobre padrões suspeitos em eventos esportivos e fluxos financeiros considerados fora dos padrões.
Efetivo
O contingente mínimo da unidade será formado por um delegado da Polícia Federal, que será o coordenador do grupo, um escrivão e três policiais analistas, sendo um deles designado como gerente operacional.
Os integrantes do grupo de elite serão recrutados preferencialmente entre aqueles que possuem experiência em análise de dados, inteligência financeira e monitoramento de plataformas digitais.
Até que as instalações definitivas sejam providenciadas, o grupo poderá funcionar temporariamente nas dependências da Divisão de Repressão à Lavagem de Dinheiro da PF (DRLD) por um período máximo de 90 dias.
