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Monterrey: Poder industrial e paixão dividida marcam os negócios da cidade para a Copa do Mundo de 2026

Anfitriã de quatro jogos do Mundial, cidade aposta na força de conglomerados corporativos e em uma das rivalidades mais intensas do futebol para potencializar ativos esportivos

Estádio BBVA, em Monterrey, será palco de quatro jogos da Copa do Mundo de 2026 - Reprodução

⚡ Máquina Fast
  • Monterrey se destaca como sede da Copa do Mundo de 2026 pela sua economia forte e paixão futebolística dividida entre Monterrey e Tigres.
  • O Estádio BBVA, símbolo de modernidade e sustentabilidade, receberá quatro partidas do Mundial sem necessidade de grandes reformas.
  • A cidade enfrenta desafios como crise hídrica e mobilidade urbana, mas aposta no Mundial para impulsionar turismo e fortalecer sua imagem global.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Uma das três sedes mexicanas da Copa do Mundo de 2026, Monterrey oferece um cartão de visitas ao Mundial forjado no poder econômico e na fidelidade dos torcedores locais. A cidade ainda vive uma dualidade, em que é, ao mesmo tempo, a capital industrial do México e o epicentro de uma paixão esportiva que beira a religião, dividida entre dois dos clubes mais ricos da América Latina.

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Além disso, Monterrey encara o Mundial não apenas como uma celebração esportiva, mas também como um “teste de estresse” para sua infraestrutura metropolitana e uma vitrine global para sua moderna indústria do esporte, impulsionada por gigantes corporativos como Femsa e Cemex.

“Clásico Regio”

A cultura esportiva de Monterrey é definida, principalmente, por uma rivalidade intensa. A cidade respira o “Clásico Regio”, duelo entre o Monterrey, conhecido como Rayados, e o Tigres. Mais do que clubes de futebol, ambas as instituições operam como braços esportivos de conglomerados globais, o que transformou a região no mercado mais inflacionado e valioso do futebol mexicano.

Os Rayados, fundados em 1945, são apoiados pela Femsa, a maior engarrafadora independente da Coca-Cola no mundo e proprietária da rede de lojas Oxxo. Já o Tigres, nascido na Universidade Autônoma de Nuevo León (UANL), conta com o suporte financeiro da Cemex, uma das maiores empresas de materiais de construção do país.

Essa estrutura corporativa permite que as equipes mantenham elencos estelares, com nomes como o espanhol Sergio Canales e o mexicano Jesús “Tecatito” Corona, pelo lado do Monterrey, e o francês André-Pierre Gignac, pelo lado do Tigres, o que gera um ecossistema de consumo robusto. Para a população local, o futebol é descrito como um “estilo de vida”, com famílias inteiras definidas pela lealdade a um dos lados, garantindo taxas de ocupação de estádios consistentemente altas e um mercado de venda de produtos oficiais aquecido.

Vale destacar ainda que, além do futebol, a cidade preserva uma forte tradição no beisebol, por conta do Sultanes de Monterrey, time fundado em 1939.

Estádio BBVA

O palco de Monterrey para a Copa do Mundo de 2026 será o Estádio BBVA, que adotará o nome genérico de Estádio Monterrey durante o torneio, devido às regras da Fifa. Inaugurada em 2015 e conhecida popularmente como “Gigante de Aço”, a arena é um símbolo da modernidade da cidade.

Com capacidade para mais de 53 mil espectadores, o estádio foi projetado pelo escritório de arquitetura Populous e se destaca por sua sustentabilidade, já que conta com o selo internacional de construção sustentável “Leed Prata” e por uma arquitetura que homenageia, por meio de uma abertura na estrutura, o Cerro de la Silla, montanha que é símbolo da região.

Diferentemente de outras sedes que exigiram reformas massivas, o BBVA já nasceu alinhado aos padrões internacionais da Fifa, oferecendo uma experiência de hospitalidade corporativa de alto nível, essencial para a estratégia de geração de receitas do Mundial. O estádio receberá quatro partidas da competição, sendo três da fase de grupos e uma da primeira fase da etapa mata-mata do torneio.

Desafios urbanos e legado

Apesar da virtude econômica, a preparação de Monterrey enfrenta desafios estruturais relevantes. A região convive com uma crise hídrica que ganhou manchetes globais nos últimos anos, exigindo das autoridades locais e da Fifa um planejamento rigoroso de gestão de recursos para o período do torneio, que acontece no verão do Hemisfério Norte.

A mobilidade urbana é outro ponto de atenção. Historicamente dependente de carros, a cidade busca acelerar obras de transporte público para conectar o estádio às zonas hoteleiras e turísticas.

Do ponto de vista econômico, a expectativa é de que o Mundial impulsione o setor de serviços e turismo. Instituições financeiras, como o Citibanamex, já projetam um ajuste positivo no Produto Interno Bruto (PIB) mexicano para 2026, impulsionado pelo fluxo de visitantes e pelo consumo gerado pelo evento.

Para Monterrey, especificamente, o torneio é a oportunidade de se posicionar globalmente não apenas como um polo industrial, mas como um destino de entretenimento e cultura esportiva de classe mundial.