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Vancouver: Povos originários e identidade esportiva na preparação para receber a Copa do Mundo de 2026

Metrópole canadense aposta em modelo de governança compartilhada com populações nativas do país e na mudança do perfil esportivo local para justificar os investimentos realizados

BC Place Stadium, em Vancouver, receberá sete partidas da Copa do Mundo de 2026 - Reprodução

⚡ Máquina Fast
  • Vancouver integra povos originários como parceiros executivos na organização da Copa do Mundo de 2026, focando em reconciliação e legado cultural.
  • Cidade aposta na modernização do BC Place Stadium com sistema temporário de grama natural para atender exigências da Fifa, com custos milionários.
  • Crescimento do futebol em Vancouver desafia tradição do hóquei, tornando o esporte mais popular entre jovens e apoiado por grandes clubes locais.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Se Toronto foca na sua diversidade cultural e demográfica para atrair turistas durante a Copa do Mundo de 2026, Vancouver, a outra sede do Canadá no torneio, conta com uma proposta de valor distinta e politicamente complexa para o Mundial. Isso porque a cidade busca equilibrar uma herança esportiva dominada pelo hóquei no gelo com a ascensão recente do futebol.

Além disso, o modelo de gestão adotado pelo comitê organizador de Vancouver para o evento coloca a reconciliação com os povos originários do país no centro da estratégia de negócios e legado da cidade como sede do Mundial.

Localizada na costa oeste do Canadá, Vancouver receberá sete partidas da Copa do Mundo no BC Place Stadium, incluindo jogos da fase de grupos da seleção canadense e outras partidas da fase mata-mata.

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Porém, a preparação do local para o evento ocorre em meio a um debate sobre viabilidade fiscal, já que os custos projetados saltaram para cerca de 581 milhões de dólares canadenses, o que pressiona as autoridades locais a entregarem um legado que vá além do turismo.

Transição da identidade esportiva

A cultura esportiva de Vancouver foi historicamente forjada no gelo. A cidade é a casa do Vancouver Canucks, franquia da NHL que desperta forte fanatismo na população. A intensidade dessa relação ficou evidente em 2011, quando a derrota na final da Stanley Cup levou milhares de torcedores revoltados às ruas, gerando problemas que marcaram a memória das pessoas.

O cenário, contudo, está mudando, já que o futebol vive um momento de crescimento acelerado na região, impulsionado pela acessibilidade econômica e inclusão comunitária. Isso fez a modalidade se tornar o esporte mais praticado entre os jovens canadenses, superando o próprio hóquei no gelo, tão tradicional há décadas.

O Vancouver Whitecaps FC é o principal exemplo dessa transformação. Com uma história que remonta ao título da NASL (liga de futebol profissional disputada por times do Canadá e Estados Unidos que durou entre 1968 e 1984) em 1979, o clube consolidou sua entrada na MLS em 2011 e hoje atrai uma base de fãs jovem e vibrante. Além deles, o BC Lions, da Liga de Futebol Canadense (CFL), compõe o tripé das grandes franquias da cidade.

Inovação na governança

A grande novidade de Vancouver como sede da Copa do Mundo de 2026, no entanto, não está na infraestrutura física, mas sim na política. Pela primeira vez em um megaevento global, os povos originários foram integrados formalmente como parceiros anfitriões para o torneio, com poder de decisão executiva e não apenas cerimonial.

O modelo é baseado em uma parceria entre a Prefeitura, o Governo da Província de British Columbia e os povos Musqueam, Squamish e Tsleil-Waututh, conhecidos pela sigla MST. O governo provincial destinou cerca de 18 milhões de dólares canadenses diretamente para essas comunidades, com o intuito de financiar projetos de legado recreativo e cultural.

Essa estratégia busca mitigar riscos reputacionais e alinhar o evento às políticas de reconciliação do Canadá, usando a visibilidade da Copa para promover o turismo indígena e a diplomacia cultural.

Infraestrutura

O palco central da Copa em Vancouver será o BC Place Stadium, um estádio que passou por reformas significativas desde sua inauguração em 1983, incluindo a instalação de um teto retrátil. Diferentemente de outras sedes que exigirão a construção de novas arenas, a cidade aposta na modernização de um ativo existente que já provou sua funcionalidade em grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo Feminina de 2015 e as Cerimônias de Abertura e Encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2010.

No entanto, como o estádio é coberto e utiliza gramado sintético em sua operação regular, material que a Fifa proibiu de ser utilizado no Mundial, foi necessária a instalação de um sistema temporário de grama natural cultivada externamente.

A operação envolveu custos milionários e logística de precisão para garantir a qualidade do campo durante o torneio, sem possibilidade de manutenção permanente do gramado após o evento devido à agenda de shows e feiras do local.

Para custear a operação inflacionada, a cidade aprovou um aumento temporário de 2,5% nas taxas de hospedagem (MRDT) em hotéis e acomodações de curto prazo, como Airbnb. Válida até 2030, a medida tem como objetivo arrecadar cerca de 230 milhões de dólares canadenses, transferindo parte da conta do contribuinte local para os turistas.