A gestão de Gianni Infantino na presidência da Fifa enfrenta uma crise institucional generalizada mesmo após o abandono do plano de investimento privado que previa a venda de 20% dos direitos comerciais do futebol a empresários ligados a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.
A entidade máxima do futebol mundial está paralisada diante da recusa de confederações como Uefa (Europa), AFC (Ásia) e Concacaf (América do Norte, Central e do Caribe) em participar de reuniões de governança até que ocorra a renúncia do dirigente.
África
Para tentar conter o avanço da oposição, Infantino convocou uma reunião de crise com a equipe sênior em Rabat, na sede da Federação Marroquina de Futebol, país que é uma das sedes da Copa do Mundo 2030.
O presidente da Fifa mantém sua principal base de sustentação política na Confederação Africana de Futebol (CAF), embora pelo menos 20 nações africanas estejam preparadas para rejeitar suas exigências de apoio.
Membros do Conselho da Fifa ligados à CAF, a exemplo de Fouzi Lekjaa (Marrocos), Hany Abo Rida (Egito), Souleiman Waberi (Djibuti) e Ahmed Yahya (Mauritânia), acumulam registros de investigações e acusações de irregularidades.
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Ásia
As pressões internas ganharam força com declarações públicas de dirigentes de outras regiões. O presidente da Federação da Jordânia, príncipe Ali bin al-Hussein, acusou a administração de Infantino de chantagem devido à retenção do pagamento de US$ 4,2 milhões referentes ao prêmio de vice-campeão da Copa Árabe.
“É evidente que o problema reside na liderança. Durante meses, a Fifa recusou-se a nos ajudar nesses e em outros assuntos, até que me foi comunicado verbalmente, durante o Mundial, que se eu apoiasse Infantino, isso ajudaria bastante a nossa federação”, contou Al-Hussein.
O dirigente da Jordânia também apontou obstáculos burocráticos e financeiros enfrentados por sua seleção durante a participação na Copa do Mundo 2026, como a cobrança de impostos governamentais intermediada pela Fifa e problemas com vistos de torcedores.
“O dinheiro que nossa equipe deveria receber por ter chegado à final [da Copa Árabe, no Catar] ainda não foi entregue, enquanto a Fifa se vangloria dos bilhões que tem em reserva”, criticou.
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Europa e América
Na Europa, o desgaste cresce com a retirada formal de cartas de apoio à reeleição de Infantino por parte de federações como Finlândia e País de Gales. Na Concacaf, há debates internos entre os dirigentes para seguir o mesmo caminho.
O secretário-geral da Fifa, Mattias Grafström, foi outro dirigente a se manifestar publicamente contra a entrada de investimentos privados na Fifa.
“Uma série de eventos tristes e repreensíveis, que felizmente terminaram com o abandono definitivo do projeto FFE [Fifa Forward Enterprise], por mais que nos sintamos consternados com eles, não devem obscurecer esta realidade”, disse o sueco.
Arsène Wenger, chefe de desenvolvimento global da Fifa, por sua vez, afirmou que o abandono da criação da FFE era fundamental para garantir o futuro da entidade.
“A decisão de retirar o projeto foi absolutamente necessária e indiscutível, porque acredito firmemente em uma Fifa independente que sirva ao nosso futebol com compromisso, transparência e integridade”, afirma o francês.
