A nova Superliga de Vôlei caminha para sair do papel no Brasil. Para que isso ocorra, porém, as partes envolvidas terão de definir primeiro o modelo societário que vigorará na competição.
Os desafios dessa construção foram tema de um dos painéis do 5º Fórum Máquina do Esporte, na manhã desta segunda-feira (11). O evento está sendo realizado no Teatro ESPM, em São Paulo (SP).
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O debate “A Criação da Nova Superliga de Vôlei” foi mediado por Guilherme Costa, coordenador do curso de jornalismo da ESPM, e contou com as participações de Henrique Netto Silva, diretor comercial e de marketing da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV); Anderson Marsilli, presidente do Vôlei Guarulhos; Fernando Maroni, diretor do Vôlei Renata; e Daniel Bortoletto, diretor do Webvôlei.
De acordo com Henrique Netto Silva, hoje são cogitados três diferentes modelos para a nova Superliga.
Um deles poderia contar com a CBV e um sócio-investidor, com direitos comerciais e de mídia da competição sendo repassados a uma empresa criada para gerir a liga e que ficaria responsável por negociar essas propriedades.
“Esse modelo não agrada os clubes, porque restringe a participação deles nas decisões”, explicou o dirigente da CBV.
Essa opinião foi confirmada por Fernando Maroni, que citou a falta de espaço para que os clubes opinem nas negociações sobre venda de direitos na atual Superliga.
“A expectativa dos clubes é de que eles possam participar de um jeito mais próximo dessas negociações”, afirmou o diretor do Vôlei Renata.
Outros formatos
O segundo modelo analisado nas discussões sobre a nova Superliga seria o associativo, similar ao adotado pelo Novo Basquete Brasil (NBB) e blocos comerciais como Liga do Futebol Brasileiro (Libra) e Futebol Forte União (FFU).
“Esse modelo poderia ou não ter um investidor envolvido. Estamos tentando entender o que está acontecendo no futebol”, disse Henrique Netto Silva.
De acordo com o dirigente, esse formato tende a agradar CBV e clubes, mas não necessariamente os investidores.
Um dos desafios observados nas discussões sobre a tentativa de construção de uma liga unificada no futebol é de que cada equipe tende a olhar mais para seus interesses individuais do que para o fortalecimento do produto em si.
A terceira alternativa, na visão do executivo da CBV, seria a constituição de uma espécie de consórcio, que permitiria a participação de várias partes com interesses compartilhados.
Nesse formato, não haveria a necessidade de grandes mudanças na estrutura hoje existente na Superliga, inclusive porque os clubes já são associados à CBV e poderiam, na opinião do dirigente, participar de maneira orgânica do negócio.
“Mais do que participação nas negociações, buscamos sustentabilidade do negócio, com a criação de novas fontes de receitas”, explicou Anderson Marsilli.
Maroni lembrou que, hoje, os contratos de mídia comercializados pela CBV com o Grupo Globo contemplam não apenas a Superliga, mas outros produtos como transmissões de vôlei de praia ou de jogos das seleções brasileiras.
Para ele, a instituição de negociações específicas de direitos da Superliga poderia ajudar a valorizar as propriedades da competição.
Daniel Bortoletto, por sua vez, disse acreditar que, na medida em que a nova Superliga for estruturada, com uma gestão independente, a CBV terá mais tempo para lidar com outros gargalos que impactam o vôlei brasileiro.
Na avaliação do jornalista, dirigentes e entidades terão de olhar para as ligas do exterior e tentar compreender o que de bem-sucedido ocorre nesses locais, adaptando as soluções para a realidade de um país continental como o Brasil.
O 5º Fórum Máquina do Esporte conta com o patrocínio de Ticket Sports, Nike, sportv, Mercado Livre e Genial Investimentos, e ainda tem o apoio de Administração ESPM e Fotop.
