A gestão de Gianni Infantino à frente da Fifa enfrenta seu maior momento de instabilidade institucional, por consequência do fracasso do projeto que envolvia a criação de uma subsidiária que administraria as operações comerciais da entidade com investidores privados. A novela ganhou mais um capítulo com críticas realizadas por Mattias Grafström, secretário-geral da Fifa, e Arsène Wenger, ex-treinador e chefe de desenvolvimento global da organização.
O enfraquecimento político foi potencializado por um um e-mail enviado por Mattias Grafström aos funcionários da Fifa. No comunicado, o executivo, que só está atrás do presidente na hierarquia da entidade, buscou tranquilizar os funcionários, enquanto disparou contra Infantino.
“Uma série de eventos tristes e repreensíveis, que felizmente terminaram com o abandono definitivo do projeto FFE [Fifa Forward Enterprise], por mais que nos sintamos consternados com eles, não devem obscurecer esta realidade”, escreveu Grafström.
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Mesmo sem mencionar Gianni Infantino diretamente, Grafström indicou que a decisão de criar o Fifa Forward Enterprise foi de total responsabilidade do presente. O secretário-geral afirmou que “todos foram lançados no meio de uma turbulência, difícil de compreender e aceitar”.
“Garanto-lhes que, como membros da administração, vocês serão defendidos e protegidos do contexto político que vivenciamos atualmente. Indivíduos, momentos de instabilidade e episódios infelizes vêm e vão. A instituição, sua missão e sua responsabilidade para com o futebol mundial permanecem, e é por isso que devemos sempre manter nosso profissionalismo, senso de perspectiva e compostura”, prosseguiu o executivo.
O distanciamento entre a presidência e os demais líderes da entidade também foi reforçado pelas declarações de Arsène Wenger. O chefe de desenvolvimento global da Fifa divulgou um comunicado revelando que a área técnica sequer foi consultada sobre o modelo de negócios pretendido pela gestão.
O relato segue o que foi alegado por entidades como a Uefa, que reclamou da falta de consulta para o anúncio do projeto.
“A decisão de retirar o projeto foi absolutamente necessária e indiscutível, porque acredito firmemente em uma Fifa independente que sirva ao nosso futebol com compromisso, transparência e integridade”, defendeu Arsène Wenger.
Queda livre
Agora, Gianni Infantino segue cada vez mais isolado na presidência da Fifa. Nesta segunda-feira (3), Uefa (Europa), AFC (Ásia) e Concacaf (Américas do Norte e Central) firmaram um pacto que consiste em abandonar, juntas, todos os órgãos de governança da entidade máxima do futebol mundial, até que o dirigente aceite renunciar ao cargo.
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Inicialmente, a Uefa, por exemplo, anunciou um boicote às competições da Fifa apenas enquanto o projeto não fosse cancelado. Entre os executivos da entidade, o diretor de operações da Fifa, Kevin Lamour, chegou a afirmar que funcionários da entidade foram enganados pelo plano do presidente Gianni Infantino e defendeu seus colegas diante das consequências da proposta.
Antes, Carlos Cordeiro, assessor sênior de Infantino, abandonou o cargo. Na Fifa desde 2021, ele classificou o projeto como “um mau negócio para o futebol”.
