Apesar da queda do Fortaleza para a Série B do Brasileirão, sacramentada no fim do ano passado, a Volt Sport conseguirá manter dois representantes na elite nacional na temporada 2026, graças ao acesso conquistado pelo Remo, que fará companhia ao Vitória na primeira divisão.
Por pouco, a Volt não emplacou três times na Série A, já que o Criciúma, um dos times de que a marca é parceira, chegou a liderar a segunda divisão e passou boa parte do campeonato no G4, até perder fôlego e terminar de fora da zona de acesso.
Ainda assim, Fernando Kleimmann, sócio-diretor da empresa, demonstra estar satisfeito com a projeção alcançada pela marca no futebol brasileiro.
“Considero que as Séries A e B, pela dificuldade que possuem, são a elite do futebol brasileiro. Dos 40 clubes que disputam os dois campeonatos, 30% estão com a Volt”, afirma o executivo.
Hoje em dia, além de Vitória e Remo na Série A, a empresa conta com América-MG, Avaí, Botafogo-SP, Criciúma, Fortaleza e Vila Nova na B. Isto sem contar Figueirense, na Série C, e Joinville, na D.
Em entrevista à Máquina do Esporte, Kleimmann analisou o atual momento vivido pela empresa e comentou sobre as estratégias que serão desenvolvidas para os próximos anos.
Vôlei
Além da parceria com os clubes de futebol, a Volt fechou, em maio do ano passado, acordo com a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) para o fornecimento de uniformes para as seleções brasileiras da modalidade.
Em cerca de sete meses de vigência do contrato, a marca já comemora os bons números proporcionados pelo investimento. “Nesse período, vendemos mais de 50 mil camisas da seleção brasileira de vôlei. O resultado nos surpreendeu”, diz Kleimmann.

De acordo com ele, o objetivo da marca é ampliar suas parcerias com outros esportes olímpicos, de olho no ciclo dos Jogos de Los Angeles 2028.
No futebol, o crescimento da companhia tem sido impulsionado por times de expressão regional, como Remo, Fortaleza, Vitória e Avaí.
Kleimmann reconhece que, no momento atual, os principais clubes da Série A estão no radar de gigantes internacionais, caso da Nike, que renovou com o Corinthians e fechou com Atlético-MG e Vasco, e da Puma, que já estava com Palmeiras, Bahia e Red Bull Bragantino e agora passa a ter o Fluminense na lista dos clubes parceiros.
“Sabemos dessa realidade, mas o mercado é cíclico e está em constante mudança. Estamos monitorando o mercado e atentos às oportunidades”, avalia.
Vale lembrar que, no universo dos grandes clubes do Eixo Rio-São Paulo, a Volt chegou a ser parceira do Botafogo. Porém, após a compra da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), John Textor optou por trocar o fornecedor de material esportivo da equipe, que passou a ser a Reebok, em contrato que deve vencer no meio deste ano.
Investimentos no exterior
A estratégia de crescimento definida pela Volt não fica restrita ao mercado brasileiro. A empresa também se prepara para atuar em outros países do continente.
De acordo com Kleimmann, a companhia já possui conversas adiantadas com clubes de futebol da Colômbia e da Argentina, os dois países mais populosos da América do Sul, depois do Brasil.
Por enquanto, o executivo prefere não adiantar quais devem ser os futuros parceiros da Volta nos países vizinhos.
“Queremos ser a maior marca esportiva brasileira”, projeta o empresário, que fundou a companhia em 2021.
Segredo do sucesso
Na visão de Kleimmann, o segredo do sucesso das parcerias da Volt está no modelo de operação adotado pela empresa.
“A Volt cuida de todas as etapas, desde o desenvolvimento e a fabricação da produto, passando pelo marketing, até o varejo, com lojas que nós mesmos operamos. O clube não precisa se incomodar com nada e só se preocupa em receber os royalties. Por isso, hoje há uma fila de times querendo fechar conosco”, explica.
A ideia de criar a Volt surgiu a partir de experiências frustrantes vividas por Kleimmann, quando ele atuava como dirigente esportivo em Santa Catarina. “Eu costumava ser muito mal atendido pelas marcas, tanto enquanto representante de clube quanto na condição de consumidor. Notei que havia um baita potencial naquele mercado, mas que ninguém estava preparado para atender”, recorda-se.
Foi então que ele se uniu a um sócio que atuava no ramo de confecção e a outro, que se dispôs a investir no negócio. No princípio, eles chegaram a cogitar o licenciamento de alguma marca internacional. “Mas então concluímos que ela nunca seria nossa”, afirma.
Dessa forma, a Volt surgiu, segundo o empresário, para suprir as lacunas existentes no segmento. “Hoje, temos condições de responder com agilidade e qualidade às necessidades dos clubes”, diz.
Enquanto grandes marcas estrangeiras tendem a trabalhar com modelos padronizados, a Volt opta por desenvolver peças específicas, que dialogam a a realidade de cada clube.
E isso não se resume ao design das peças, mas também às próprias ações de lançamento de produtos. Foi dessa forma, por exemplo, que uma nova camisa do Criciúma foi apresentada dentro de uma mina de carvão, já que a cidade tem forte ligação com a produção carbonífera.
A mesma lógica norteou o lançamento da camisa Eiffel do Fortaleza, em Paris, reforçando a influência francesa nas origens do clube.
Ou mesmo a nova camisa do Tricolor da Pici, lançada neste ano e batizada de Glória. O modelo busca reforçar a identidade do clube e sua relação com a torcida, no momento em que ele terá de lutar para tentar retornar à Série A.

Apesar de serem considerados clubes de expressão regional, os parceiros da Volt acabam apresentando números expressivos e batem de frente com os grandes, em matéria de venda de camisas.
O Fortaleza, por exemplo, alcançou a marca de 150 mil comercializadas ao ano. O Remo, por sua vez, vendeu em torno de 100 mil, enquanto o Vitória atingiu um total de 80 mil.
A política de royalties adotada pela empresa (que costuma oferecer percentuais maiores que os praticados pelas grandes marcas internacionais) ajuda a tornar atrativa a parceria para os clubes.
“Em alguns times, hoje representamos a segunda maior fonte de receitas, se considerarmos a soma do nosso patrocínio e dos royalties”, diz Kleimmann.
