O último dia da edição de 2026 do Rock in Rio reservou uma surpresa para os amantes da… corrida de rua. Pois é. Na coletiva concedida para fazer um balanço deste ano e projetar a próxima edição do festival, considerado um dos maiores do mundo, Roberta Medina, vice-presidente da Rock World, empresa que comanda o Rock in Rio, anunciou a Rock in Run, prova que será disputada pela primeira vez em setembro de 2028.
A corrida será ao pôr do sol, com a largada em algum ponto da cidade do Rio de Janeiro (RJ) a ser definido. A chegada, por sua vez, será na Cidade do Rock. Entre os detalhes revelados, Roberta afirmou que sósias de artistas famosos participarão da corrida, que terá kits especiais, bem como brindes de patrocinadores e uma medalha que simbolize o festival. Mais detalhes, como as distâncias disponibilizadas e os percursos, serão revelados nos próximos dois anos.
“Pediam para a gente fazer uma corrida dentro da Cidade do Rock, mas não, né, gente? Vamos correr na beleza que é o Rio, e o ponto de chegada será dentro da Cidade do Rock, no dia do evento-teste. Vai ser um sucesso”, disse a vice-presidente da Rock World.
“Sportainment” em alta
Por ser considerado um festival enorme de música e entretenimento, inclusive com grande repercussão internacional, a chegada do Rock in Rio ao universo do running pode ser considerado o ápice do chamado “sportainment”, palavra que mistura esporte e entretenimento.
O conceito vem crescendo cada vez mais nos últimos anos, em especial quando se fala em música. Como a Máquina do Esporte falou recentemente em uma reportagem especial, a relação entre corrida de rua e música, que antes era restrita à trilha sonora ou às apresentações que animavam as arenas das provas, tem mudado completamente. Essa associação tem ganhado outra dimensão, com artistas e bandas transformando seus nomes, marcas, repertórios e comunidades de fãs em ativos para a criação de eventos esportivos.
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O Circuito 100% Você, encabeçado por Bell Marques e pelos filhos Rafa e Pipo Marques, por exemplo, teve sua primeira prova em janeiro de 2025. Foram 12 no total no ano passado. E, neste ano, o objetivo é chegar a mais de 25 etapas.
Recentemente, o cantor Thiaguinho também anunciou a Corrida Tardezinha para 2027. E os exemplos se acumulam. Já existe uma prova em homenagem aos Mamonas Assassinas, e até o Iron Maiden, uma das bandas mais icônicas do mundo, símbolo do heavy metal, decidiu fazer uma corrida de rua, escolhendo justamente o Brasil para a estreia, que ocorrerá no próximo dia 10 de outubro, em São Paulo (SP).
Agora, com uma prova organizada por um festival do tamanho do Rock in Rio, fica claro que isso deixou de ser tendência e se tornou uma realidade nua e crua.
“A gente vem falando há muito tempo da fusão desses dois universos. Há outros sinais como a queda notável de consumo de álcool por jovens. É um sinal de troca da noite pelo dia”, avaliou Daniel Krutman, CEO da Ticket Sports, uma das maiores plataformas de vendas de inscrições do país, e que também é colunista da Máquina do Esporte.
“Já não é perigoso atrelar corrida a um show por medo do volume de pessoas. Para o esporte é muito bom. Atrai gente nova que nunca tinha pensado em correr e agora tem uma nova transversal no seu universo. Para o entretenimento, é inevitável”, acrescentou.
“A gente está querendo trazer essa conversa da saúde, que é tão importante, mas do jeito que é coerente com a experiência, e não é uma coisa ou outra. É uma coisa e outra. Eu gosto de correr. E eu gosto de festa. Por que não posso ter as duas coisas, né?” destacou Roberta Medina.
