O Palmeiras esteve em vias de firmar acordo de patrocínio de uniforme para o espaço antes ocupado pela Fictor, que foi liquidada pelo Banco Central (BC).
Segundo apuração do jornalista Adalberto Leister Filho, da Máquina do Esporte, na sexta-feira que antecedeu o jogo decisivo do Paulistão diante do Novorizontino (ocorrido em 14 de março), houve uma reunião para definir o acordo com a empresa, que fazia questão de estrear já na grande final.
Por enquanto, o nome da companhia é mantido a sete chaves, mas há fortes rumores de que ela seria do setor automotivo, com sede na Ásia.
Como o contrato precisava ainda ser analisado pelos departamentos jurídicos do Palmeiras e da empresa, não haveria tempo hábil para que o documento fosse assinado de modo a que o patrocínio entrasse em vigor já para a partida em Novo Horizonte.
A solução encontrada pela marca foi oferecer um acordo pontual de R$ 1 milhão, válido apenas para a final. Mas a presidente Leila Pereira preferiu dizer não a essa proposta.
Valorização da camisa
O argumento usado pela presidente é de que ela busca acordos de longa duração para o Palmeiras. A postura é parte da estratégia de valorização da camisa do clube, adotada pela mandatária. As negociações com a empresa prosseguem, mesmo com a parceria pontual não tendo vingado.
Vale lembrar que dinheiro não é problema para a equipe alviverde. Nesta semana, o Conselho Deliberativo do Verdão aprovou o balanço relativo a 2025, que aponta um faturamento bruto de R$ 1,78 bilhão e superávit contábil de R$ 292 milhões.
No ano passado, as receitas com publicidade e patrocínio do Palmeiras chegaram a R$ 213 milhões, crescimento de 42% em comparação ao realizado em 2024. Para atual temporada, o orçamento do clube projeta um faturamento de R$ 259,173 milhões nessa área.
Força-tarefa
A reunião que tratou desse patrocínio para a final do Paulistão começou pela manhã e foi encerrada depois das 23h.
O clube chegou a formar uma espécie de força-tarefa que seria responsável por colocar a logomarca nos uniformes do Verdão, durante a madrugada de sexta-feira para sábado, para que eles pudessem ser despachados a tempo para Novo Horizonte. Como o acordo pontual não avançou, a missão acabou sendo abortada.
Libra
O calendário de jogos do Brasileirão acabou por, de certa forma, deixar menos badalada a reunião convocada por Flamengo, Grêmio e Remo para rediscutir o contrato da Liga do Futebol Brasileiro (Libra) com o Grupo Globo, realizada nesta quarta-feira (18).
A reunião começou um tanto tensa, mas transcorreu sem sobressaltos. Todos os envolvidos passam bem.
Representantes do Bahia e do Red Bull Bragantino participaram do encontro de maneira remota, já que estavam acompanhando suas equipes, que se enfrentariam em Salvador (BA).
Leila nem ao menos deu o ar de sua graça na Gávea. Ela esteve no Allianz Parque, em São Paulo (SP), desejando boa sorte aos jogadores do Palmeiras, antes da partida contra o Botafogo.
O Verdão foi representado na reunião da Libra por Cristiano Koehler, executivo responsável pela área financeira do clube.
Bilocação
Em tese, Leila não teria como ter participado presencialmente da reunião da Libra. Muito menos comparecido ao jogo do Palmeiras.
Isto porque, na semana passada, seus advogados informaram à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS que ela não poderia comparecer perante os deputados e senadores, porque estaria fora do Brasil entre 10 e 25 de março.
Nota-se que Leila não viajou – ou então (se a versão dos advogados era verdadeira) ela possui o dom da bilocação, que é a capacidade milagrosa atribuída a santos como Padre Pio e São Francisco Xavier, em que um indivíduo consegue estar em diferentes lugares ao mesmo tempo.
O fato é que a presidente do Palmeiras e dona da Crefisa livrou-se de comparecer à CPMI graças a uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na visão do magistrado, a convocação poderia representar possível desvio de finalidade e extrapolação do objeto investigado pela comissão.
Retomada do diálogo
A Libra passará por mudanças em seu comando, com a entrada de Flamengo e Bahia no Comitê Gestor, nos lugares de Red Bull Bragantino e São Paulo.
O bloco emitiu nota, na noite desta quarta, celebrando a volta da “aproximação interna entre os clubes associados”.
De acordo com o comunicado, o encontro foi marcado pela reabertura de diálogo entre o Flamengo e os demais clubes. A situação no bloco azedou depois que o presidente da equipe rubro-negra, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, passou a atacar publicamente o modelo de divisão de receitas adotado e chegou a obter na Justiça o bloqueio de repasses feitos pelo Grupo Globo.
A reunião precisou ser suspensa “em razão do horário tardio”, mas “será retomada em segunda sessão muito em breve para que os demais itens da pauta sejam deliberados”.
A Libra finaliza a nota adotando uma linha similar à do Futebol Forte União (FFU), que propõe o diálogo entre os dois blocos e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), de modo a viabilizar a criação de uma liga unificada no país. Será que agora vai?
A polêmica dos prazos no FFU
Nos últimos dias, conforme noticiamos na Máquina do Esporte, o FFU foi sacudido por uma polêmica envolvendo a reunião que decidiria sobre a entrada (ou não) do Grêmio no Condomínio.
Uma das questões que incendiaram essa discussão foi o prazo entre a publicação do edital de convocação (11 de março) e a data para a qual o encontro foi marcado (16).
Além da contestação pública feita pelo Goiás, o CEO do FFU, Gabriel Lima, foi procurado por dirigentes que apontavam a discordância entre as datas e o Estatuto do bloco, que prevê que Assembleias Gerais devem ser convocadas com no mínimo oito dias de antecedência.
Mudou ou não mudou?
Em mensagem enviada aos cartolas, o executivo argumentou que, numa Assembleia realizada no ano passado, os clubes teriam aprovado a redução do prazo para três dias. Porém, a letra fria do Estatuto segue com a regra de oito dias.
No fim das contas, a reunião da última segunda-feira perdeu o caráter deliberativo, de modo a evitar questionamentos jurídicos – e sem que o caso do Grêmio fosse debatido. E, do jeito que as coisas estão caminhando, pode ser que essa discussão nem venha a ocorrer.
Fufuca deve deixar Ministério do Esporte

O ministro do Esporte, André Fufuca, deve deixar o cargo até o fim deste mês, para se candidatar ao Senado Federal pelo Maranhão, em outubro.
Ele confirmou sua pré-candidatura e o prazo de desincompatibilização, numa entrevista concedida ao site Central Piauí, durante visita ao município de Pedro II, também conhecido como “Terra da Opala” ou “Suíça Piauiense”.
Mesmo partido
Fufuca deverá permanecer no PP, partido pelo qual se elegeu deputado federal, em 2022. Sua entrada no ministério, no lugar de Ana Moser, foi uma tentativa do Governo Lula de atrair a legenda para sua base.
Em setembro do ano passado, ao anunciar a federação com o União Brasil, o comando nacional do PP comunicou que deixaria a base aliada e orientou seus filiados a deixarem os cargos no Governo.
Mesmo com as ameaças de punição para quem não cumprisse a ordem, Fufuca preferiu seguir no cargo.
Não se pode esquecer que Lula obteve 71,14% dos votos válidos no Maranhão, no segundo turno da última eleição presidencial. O presidente deve estar no palanque e nos materiais de campanha de Fufuca.
Rodrigo Ferrari é jornalista da Máquina do Esporte desde 2022. Formado pela Universidade de São Paulo (USP), atua com política desde 2010
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