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Rodrigo Ferrari - Catanduva (SP)

Estação Central

7 min de leitura

Análise

Reunião da CBF sobre liga unificada mostra entrosamento entre Leila Pereira e Pedrinho

Sobrou para Bap e o Flamengo: Confira detalhes dos bastidores do encontro que iniciou as discussões sobre a liga no Brasil

Rodrigo Ferrari - Catanduva (SP) • Colunista

08/04/2026 19h57

Pedrinho e Leila Pereira na reunião da CBF, realizada na última segunda-feira (6) - Rodrigo Ferrari / Máquina do Esporte

⚡ Máquina Fast
  • Leila Pereira e Pedrinho mostram alinhamento e criticam liderança do Flamengo na reunião da CBF sobre a liga unificada.
  • Disputa interna dificulta avanço da liga, que depende da CBF para superar interesses divergentes dos clubes.
  • Presidente Lula critica casas de apostas e sinaliza possível pauta conservadora na campanha eleitoral de 2024.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

A reunião promovida pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), na última segunda-feira (6), para iniciar o debate sobre a criação da liga unificada no Brasil, deixou em evidência o bom entrosamento entre Leila Pereira e Pedrinho, presidentes, respectivamente, de Palmeiras e Vasco.

Além de haverem se sentado próximos durante a reunião, os dois demonstraram um alinhamento de ideias nas entrevistas concedidas a jornalistas que cobriam o evento.

Tanto Leila quanto Pedrinho pegaram pesado nas críticas ao presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap.

Vale lembrar que a dirigente palmeirense (que teria sido torcedora do Gigante da Colina na infância e na juventude) é dona da Crefisa, que recentemente firmou um empréstimo de R$ 80 milhões ao Vasco.

Outro detalhe é que o enteado da presidente palmeirense, Marcos Faria Lamacchia, negocia a compra da SAF cruz-maltina, em um negócio que pode ultrapassar R$ 2 bilhões.

Bap

Leila e Pedrinho foram os primeiros dirigentes a conceder entrevista aos repórteres que cobriam a reunião organizada pela CBF. Ambos iniciaram com elogios à entidade pela iniciativa.

À medida em que desenvolviam o raciocínio, porém, eles passaram a criticar a postura assumida pela atual diretoria do Flamengo, comandada por Bap.

No caso de Leila, que usou a expressão “Real Madrid da Shopee” para se referir ao rubro-negro, a questão tem a ver com a polêmica sobre o modelo de divisão das receitas da Liga do Futebol Brasileiro (Libra).

No caso de Pedrinho, a indignação possui relação com declarações feitas por Bap após o Vasco fechar o empréstimo junto à Crefisa. O ex-jogador disse que o dirigente rival teria colocado seu caráter em dúvida.

“O presidente do Flamengo, sob sua prepotência e arrogância, ficou falando diversas vezes em um tom que não me agrada”, afirmou Pedrinho, com voz embargada.

No exato momento em que esse desabafo começou, Bap aguardava ao lado para também ser ouvido pelos jornalistas.

O presidente do Flamengo, no entanto, optou por deixar o local antes mesmo que as entrevistas de Leila e Pedrinho chegassem ao fim. Com isso, não teve tempo de escutar as queixas do dirigente vascaíno contra John Textor, por conta de comentários que o empresário norte-americano fez a respeito da equipe cruz-maltina.

Desunião

A lavação de roupa suja promovida pelos dois dirigentes ao fim da reunião mostra que o grande desafio para que a ideia da liga prospere é superar a desunião entre os clubes.

Pedrinho, aliás, disse que só acredita que a liga poderá sair do papel porque uma entidade acima dos clubes (a CBF) está à frente da iniciativa.

Na visão dele, se depender apenas dos clubes, a proposta não avançará, uma vez que, de um modo geral, cada equipe estaria preocupada apenas com os próprios interesses.

Silêncio

O presidente do Internacional, Alessandro Barcellos, marcou presença na reunião sobre a liga promovida pela CBF.

Atualmente, o dirigente colorado comanda o Futebol Forte União (FFU), entidade que vem enfrentando dissidências internas nos últimos tempos.

Antes do evento, Barcellos disse que falaria com a Máquina do Esporte para dar sua avaliação sobre o evento. Acabado o encontro, porém, ele optou por deixar o Hotel Hilton sem conversar com os jornalistas.

Corinthians

Dos quatro grandes clubes paulistas, apenas o Corinthians não enviou o presidente ao Rio de Janeiro (RJ) para a reunião sobre a liga. Além de Leila Pereira, o são-paulino Harry Massis e o santista Marcelo Teixeira também participaram do encontro.

Já o Timão foi representado pelo diretor financeiro Emerson Piovesan. Dentre as 40 equipes convidadas para o evento, apenas Chapecoense e Mirassol acabaram não comparecendo.

New Balance x Penalty

Nas últimas semanas, os perfis e páginas dedicados a informações sobre o São Paulo foram agitados com rumores de que a Penalty teria feito uma proposta para desbancar a New Balance como fornecedora de material esportivo do clube do Morumbis.

LEIA MAIS: São Paulo e New Balance renovam acordo de patrocínio até 2032

A coluna apurou que, na prática, as chances de retorno da Penalty ao Tricolor eram nulas. Fontes ligadas à diretoria argumentaram que a proposta da marca do Grupo Cambuci, que chegou a empolgar alguns setores da torcida, teria sido apresentada fora do prazo e conteria alguns erros formais, razões pelas quais não chegou a ser considerada.

Candidato ou não?

Apesar de a cláusula do contrato que reorganiza a dívida dos direitos de imagens de Neymar prever pagamento parcelado apenas em caso de reeleição de Marcelo Teixeira como presidente do Santos, o cartola alvinegro ainda não decidiu se tentará ou não concorrer a mais um mandato.

LEIA MAIS: Santos tem futuro político amarrado por acordo com Neymar e dívida de R$ 90 milhões

A eleição no clube ocorrerá apenas no fim do ano. Se optar por se lançar candidato, Teixeira será franco favorito. Prova disso foi o resultado esmagador obtido por ele na votação do balanço financeiro no Conselho Deliberativo, ocorrida nesta semana. O documento recebeu 107 votos a favor e apenas 39 contrários.

Apostas podem pautar campanha eleitoral de 2026

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), resolveu subir o tom contra as casas de apostas.

Em entrevista concedida ao ICL nesta semana, ele afirmou que, se pudesse, proibiria as bets. Em março, no pronunciamento em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, o petista já havia disparado contra as empresas do setor, com uma fala centrada no Jogo do Tigrinho, que, hoje, representa um dos principais produtos dessas plataformas.

LEIA MAIS: Lula defende acabar com Jogo do Tigrinho, e entidades dizem temer “retrocesso”

Desta vez, a fala de Lula veio após uma pergunta do economista Eduardo Moreira e abrangeu o setor como um todo.

Os comentários do presidente permitem algumas interpretações e indicam que o tema pode vir a pautar a campanha eleitoral deste ano.

Aceno ao eleitor conservador

A fala de Lula pode ser entendida como um aceno ao eleitor conservador, especialmente aquele que rejeita as apostas por questões religiosas, caso de setores evangélicos (em geral, mais inclinados às candidaturas bolsonaristas).

Em determinado momento de sua fala, Lula chegou a citar que o Brasil, por ser um país muito religioso, rejeitaria a prática das apostas.

Renda

Hoje, no Brasil, boa parte das pessoas conhece alguém que perdeu dinheiro apostando em jogos como o Tigrinho. O tema é amplamente debatido nos meios de comunicação.

Com isso, o discurso que questiona os impactos das apostas na renda das famílias tende a ganhar repercussão junto ao eleitorado.

As empresas do setor certamente argumentarão que o volume de pessoas que apostam de maneira problemática não seria tão grande no Brasil.

Porém, essa é uma disputa de narrativas que tende a se aprofundar nos próximos meses.

Rodrigo Ferrari é jornalista da Máquina do Esporte desde 2022. Formado pela Universidade de São Paulo (USP), atua com política desde 2010

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