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Lênin Franco, especial para a Máquina do Esporte

Lênin Franco

3 min de leitura

Análise

Futebol brasileiro precisa reaprender a conversar

Fórum Máquina do Esporte e FutPro Expo transformam encontros em ideias, networking em construção e debates em legado, e o futebol brasileiro precisa disso

Lênin Franco, especial para a Máquina do Esporte • Colunista

12/05/2026 07h40

Erich Beting e Gheorge Rodriguez foram os apresentadores do 5º Fórum Máquina do Esporte - Diogo Anhasco / Fotop

⚡ Máquina Fast
  • O futebol brasileiro prioriza debates sobre resultados em vez de discutir sua estrutura e gestão.
  • Eventos como FutPro Expo e Fórum Máquina do Esporte promovem discussões profundas que unem diferentes setores do futebol.
  • A evolução do futebol brasileiro depende da profissionalização, inovação e abertura a debates que provoquem desconforto intelectual.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

O futebol brasileiro adora discutir resultado, mas evita discutir estrutura. E talvez esteja aí um dos maiores sintomas do nosso atraso.

A gente passa horas debatendo esquema tático, contratação, arbitragem, gramado, calendário, Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e seleção brasileira, entre outros temas, mas ainda são poucos os espaços em que o futebol para com o intuito de pensar o próprio futebol, a indústria, a gestão e, principalmente, o futuro.

É justamente por isso que eventos como a FutPro Expo e o Fórum Máquina do Esporte se tornam tão importantes para o ecossistema esportivo brasileiro. Porque eles criam algo raro no nosso ambiente: profundidade, ou melhor, densidade.

O futebol brasileiro sempre foi muito forte no improviso, talvez o mais genial do mundo nisso, mas o improviso que antes era diferencial, hoje virou armadilha. O mundo mudou, o futebol mudou, a indústria mudou, mas quem não aprende a discutir gestão, inovação, comunicação, saúde mental, tecnologia, formação, governança e experiência do torcedor, inevitavelmente fica para trás.

O problema é que ainda existe uma resistência cultural ao debate qualificado no futebol. Como se pensar demais afastasse o jogo da sua essência, quando, na verdade, é exatamente o contrário. Quanto mais profissional um ambiente se torna, mais protegido ele fica da bagunça que destrói talento, clube, carreira e credibilidade.

Eventos assim ajudam a construir pontes, colocam na mesma mesa executivos, atletas, treinadores, jornalistas, marcas, investidores, profissionais da saúde, criadores de conteúdo e gente que talvez pense o futebol por ângulos completamente diferentes. É nesse choque de perspectivas que surgem as mudanças mais relevantes, porque a evolução do futebol brasileiro não virá de um novo camisa 10; ela virá também de novos pensamentos, virá de quem entende que futebol, hoje, é plataforma cultural, econômica, emocional e tecnológica ao mesmo tempo.

A gente precisa criar mais ambientes onde perguntas difíceis possam ser feitas sem que isso seja tratado como ameaça, mais espaços onde o futebol possa olhar para si mesmo com maturidade, mais encontros que provoquem desconforto intelectual, porque evolução sem desconforto normalmente é só maquiagem.

O futebol brasileiro precisa reaprender a conversar, e talvez esse seja um dos maiores papéis de eventos como a FutPro Expo e o Fórum Máquina do Esporte: transformar encontros em ideias, networking em construção e debates em legado.

O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte

Lênin Franco é especialista em marketing esportivo, possui MBA em Gestão de Projetos e trabalha no mercado do futebol desde 2006. Chegou ao Bahia em 2013 como gerente de marketing e, na sequência, passou a comandar o departamento de negócios. Em 2021, chegou ao Botafogo como diretor de negócios e ajudou o clube a se estruturar para a chegada do investidor John Textor. Em 2022, assumiu a diretoria de negócios do Cruzeiro, integrando o time de dirigentes da SAF Cruzeiro. Por fim, em 2023, assumiu as áreas de marketing e comercial da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), liderando principalmente a renovação do contrato da Nike com a entidade. Atualmente, é sócio da 94 Marketing & Football

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