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Rodrigo Ferrari - Catanduva (SP)

Estação Central

9 min de leitura

Análise • Atletismo • Copa 2026 • Vôlei

Conseguirá a camisa da seleção brasileira escapar da polarização ideológica em ano eleitoral?

Pesquisa recente encomendada pela CBF mostra que associação do manto canarinho à política ainda é baixo, mas campanha ainda não engrenou

Rodrigo Ferrari - Catanduva (SP) • Colunista

13/05/2026 18h56

Nike apresentou a camisa titular da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2026 - Divulgação / Nike

Nike apresentou a camisa titular da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2026 - Divulgação / Nike

⚡ Máquina Fast
  • Pesquisa do Instituto Nexus revela que 68% dos brasileiros usam pouco ou nenhuma vez a camisa amarela da seleção e que 6% evitam usá-la por motivos políticos.
  • CBF mantém contrato com a empresa Fictor apesar da inadimplência, enquanto presidente Samir Xaud visita o Internacional em busca de aproximação com clubes.
  • Câmara dos Deputados aprova Regime Especial de Tributação para Associações Desportivas (Retad), beneficiando clubes associativos com carga tributária reduzida.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Idealizada em 1954 como uma forma de exorcizar o trauma pela derrota em casa na Copa do Mundo de 1950, a camisa amarela da seleção brasileira tornou-se um símbolo nacional fácil de ser reconhecido.

Em tempos recentes, seu uso em locais públicos, fora da época dos Mundiais, ganhou inúmeros adeptos, sobretudo entre os segmentos mais conservadores do eleitorado.

Via de regra, se há uma manifestação de direita em alguma cidade brasileira, ali haverá também centenas ou milhares de pessoas trajando a amarelinha.

Em uma sociedade fortemente polarizada, em que a Copa do Mundo calha de ocorrer justamente no mesmo ano da eleição presidencial, essa apropriação do uniforme da seleção por uma parcela específica da população pode representar um desafio enorme, ainda mais para um time que não conquista o torneio há 24 anos.

No ano passado, a atual gestão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) encomendou um estudo procurando entender de maneira mais aprofundada como o torcedor do país se engaja e consome esse esporte e também como ele se relaciona com a seleção.

Realizada pelo Instituto Nexus em agosto de 2025, a pesquisa ouviu 2.006 pessoas, todas acima de 16 anos de idade, em 27 unidades da federação.

Entre os temas abordados nas entrevistas estavam justamente a percepção e o uso da camisa da seleção pelos torcedores.

Amarelinha apartidária?

A pesquisa do Instituto Nexus constatou que 68% dos entrevistados usam pouco ou nada a camisa da seleção brasileira.

O estudou também verificou que 44% dos torcedores nunca utilizam o uniforme do Brasil. Desses, 14% alegam que a decisão tem motivação política.

Se considerarmos o universo total de entrevistados, 6% dos brasileiros deixaram de utilizar a camisa da seleção por questões políticas.

Esse dado foi comentado pelo diretor de marketing das seleções da CBF, Bernardo Bessa, durante entrevista ao podcast Maquinistas, gravado na última segunda-feira (11), no Teatro ESPM, em São Paulo (SP), durante o 5º Fórum Máquina do Esporte.

O percentual baixo de rejeição ocasionada pela política parece indicar que a camisa da seleção, especialmente a amarela, pode ter conseguido atravessar incólume a polarização, que ainda é forte no Brasil.

Campanha ainda não começou

Vale observar, porém, que essa pesquisa foi realizada em agosto do ano passado, em uma época em que grande parte da população estava alheia a questões relacionadas a partidos e candidatos.

Em 2026, já tivemos algumas amostras de como a sociedade brasileira segue fortemente dividida por conta da política, depois que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento e a suspensão da fabricação de produtos da marca Ypê, por falhas na produção e risco de contaminação microbiológica.

No mês de julho, em plena Copa do Mundo, os partidos estarão às voltas com a organização das convenções para a escolha dos candidatos para as eleições de outubro, que, neste ano, deverão mais uma vez contrapor Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, a um Bolsonaro, do PL (no caso, o senador Flávio, também apelidado de 01 pelo pai, o ex-presidente Jair).

Será que uma nação que hoje briga por detergente terá maturidade e serenidade para enfrentar mais essa disputa?

Impacta ou não?

O Instituto Nexus se deu ao trabalho de perguntar aos entrevistados se a apropriação política da camisa amarela prejudicou a imagem da seleção brasileira.

O resultado das respostas indica um sinal claro da polarização do eleitorado brasileiro. Para 46%, o uso da amarelinha por grupos específicos não trouxe danos ao time nacional.

Para outros 46%, no entanto, essa utilização no contexto político fez com que parte da população perdesse o interesse pela seleção.

Isso a pesquisa não diz, mas podemos deduzir, sem medo de errar: em geral, se alguém toma determinada atitude deliberadamente, é porque não vê problemas nela; já entre aqueles que não adotam essa prática, as chances de a enxergarem de maneira negativa é maior.

Os torcedores considerados fanáticos são os que menos acreditam na hipótese de que houve prejuízo (apenas 45%, contra 54% que acham que não houve danos à imagem).

Já entre os torcedores classificados como eventuais, o índice dos que acreditam que isso levou à perda de interesse de parte do público chega a 48%.

De acordo com a pesquisa, apenas 9% dos entrevistados admitiram haver usado a camisa amarela em alguma manifestação política ocorrida nos últimos oito anos.

Fictor

Uma apuração do jornalista Adalberto Leister Filho, da Máquina do Esporte, mostra que, ao contrário do Palmeiras, a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) optou por não rescindir com a Fictor, mesmo com a empresa estando inadimplente com o patrocínio desde janeiro.

LEIA MAIS: Palmeiras anuncia rescisão com Fictor por inadimplência

A ideia da entidade, que pretende receber apenas mais R$ 500 mil referentes à parcela de janeiro, é evitar a judicialização do caso, como aconteceu com o clube paulista.

O Palmeiras tinha uma cláusula de rescisão automática, caso a empresa entrasse em recuperação judicial. A CBAt não tem isso em contrato.

Samir visita Barcellos

O presidente da CBF, Samir Xaud, esteve em Porto Alegre (RS), na noite desta terça-feira (12), para visitar a sede do Internacional, acompanhado de Luciano Hocsman, presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF).

Os dirigentes foram recebidos por Alessandro Barcellos, que, além de presidir o Colorado, é diretor-presidente do Futebol Forte União (FFU).

“O Internacional reconhece os esforços empreendidos pela atual gestão da CBF e celebra as melhorias que já foram conquistadas nesse quase um ano de mandato, como os avanços para a profissionalização da arbitragem, a criação de um grupo de trabalho para propor melhorias nas categorias de base do país, a estruturação do Fair Play Financeiro e a mediação nos debates para a estruturação de uma liga de clubes no Brasil”, afirmou Barcellos.

A visita de Samir parece indicar um esforço da CBF para se aproximar dos clubes dos diferentes blocos, em meio às discussões iniciais para a criação da liga unificada no Brasil.

Não se pode esquecer de que veio de Barcellos a iniciativa de acenar para a CBF e à Liga do Futebol Brasileiro (Libra), buscando avançar com o debate para a criação da liga unificada, com a superação do atual modelo com dois blocos comerciais que negociam de maneira separada.

Mundial de Corrida de Rua

Adalberto Leister Filho, da Máquina do Esporte, também apurou que o Brasil ainda não sabe quais serão seus concorrentes na disputa para sediar o Mundial de Corrida de Rua de 2028.

A CBAt apresentou a candidatura do Rio de Janeiro. O prazo da World Athletics para apresentação de candidaturas terminou em abril. A escolha das sedes de 2028 e 2029 será feita ao longo deste ano. Em 2026, o evento será em Copenhague, na Dinamarca, em setembro.

A confederação já realizou conversas preliminares com o poder público e conseguiu garantias financeiras para a realização do evento, embora a avaliação, hoje, é de que o cenário seja de indefinição por causa das próximas eleições.

O Rio de Janeiro já foi sede do antigo Campeonato Mundial de Meia-Maratona em 2008. Esse evento sofreu transformações até se tornar o atual Mundial de Corrida de Rua, que conta com provas de 5km, 1 milha (1,6km) e meia-maratona (21km). A competição tem se popularizado, pois permite que corredores amadores participem ao lado dos profissionais.

Consórcio da Superliga?

A criação da nova Superliga de Vôlei foi tema de um dos painéis realizados durante o 5º Fórum Máquina do Esporte.

Henrique Netto Silva, diretor comercial e de marketing da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), procurou sintetizar, durante sua apresentação, os detalhes sobre os três modelos societários que estão sendo analisados nesse projeto.

Pelo tom adotado por Henrique em sua fala e na entrevista concedida após o painel, é possível notar que, hoje, o formato de consórcio parece ser o favorito para ser adotado na nova Superliga.

Isso porque o modelo demandaria poucas mudanças estruturais no vínculo da CBV com os clubes (que já são associados a ela), ao mesmo tempo em que garantiria uma maior participação para as equipes nas decisões e nas negociações, além de resguardar os interesses de um eventual investidor que resolva embarcar no projeto.

Regime especial de tributação

Os clubes associativos obtiveram uma vitória expressiva nesta quarta-feira (13), com a aprovação pela Câmara dos Deputados do projeto de lei complementar que institui o Regime Especial de Tributação para as Associações Desportivas (Retad).

Foram 421 votos favoráveis à proposta e apenas três contrários, além de uma abstenção. O texto agora segue para análise do Senado Federal.

Se o projeto não sofrer alterações e vier a ser sancionado pelo presidente Lula, clubes que aderirem ao Retad terão uma carga tributária de 5%, sendo 3% referentes ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e contribuição patronal à Previdência Social.

Os 2% restantes seriam referentes à Contribuição Sobre Bens e Serviços (CBS) e ao Imposto Sobre Bens e Serviços (IBS).

Mobilização

A aprovação do Retad é resultado da mobilização dos clubes associativos e de entidades esportivas como Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), Comitê Olímpico do Brasil (COB) e Confederação Brasileira de Vôlei (CBV).

Conforme noticiou a Máquina do Esporte recentemente, a Reforma Tributária tem tirado o sono dos dirigentes dessas instituições, já que ela deve elevar a carga dos clubes associativos sem fins lucrativos para algo em torno de 11,4%.

Enquanto isso, as Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), que têm fins lucrativos, terão uma carga total de 6% e com modelo simplificado de pagamento.

Pelo resultado obtido na votação do Retad na Câmara, a tendência é de que ele avance sem dificuldades no Senado e acabe sendo sancionado por Lula, a tempo de reverter os impactos da Reforma Tributária, cujos efeitos só valerão a partir de janeiro de 2027.

Rodrigo Ferrari é jornalista da Máquina do Esporte desde 2022. Formado pela Universidade de São Paulo (USP), atua com política desde 2010

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