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Evandro Figueira, especial para a Máquina do Esporte

Evandro Figueira

5 min de leitura

Análise

Novos players, mais concorrência

Por ser um conteúdo fundamental para atração e retenção de assinantes, seguidores e usuários, o esporte tem visto cada vez mais movimentos focados na aquisição dos direitos de transmissão

Evandro Figueira, especial para a Máquina do Esporte • Colunista

01/06/2026 06h22

CazéTV exibirá LaLiga com exclusividade até a temporada 2031/2032 - Divulgação

⚡ Máquina Fast
  • A cláusula de plataformas na negociação de direitos de transmissão evoluiu de uma linha simples para documentos detalhados com múltiplas páginas.
  • A concorrência entre novas plataformas como Paramount+, CazéTV e Goat tem aumentado, diversificando o mercado e beneficiando vendedores de direitos esportivos.
  • O esporte é considerado um conteúdo fundamental para a atração e retenção de assinantes em diversas plataformas digitais e tradicionais.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Trabalho com negociação de direitos de transmissão há mais de 23 anos. Comecei lá no início dos anos 2000 quando a cláusula de plataformas era de apenas uma linha. Ou era TV Aberta ou era TV por assinatura. Simples assim.

De lá para cá, muita coisa mudou, e esta passou a ser uma das cláusulas mais importantes e mais detalhadas dentro de um contrato de licenciamento de direitos, podendo ter mais de duas ou três páginas inteiras só para tratar deste ponto.

Acompanhamos em anos recentes a chegada e, em alguns casos, também a partida de plataformas como DAZN, Fox Sports, Amazon Prime Video, HBO Max, Globoplay, Disney+, CazéTV, Goat e Netflix, além, obviamente, dos já tradicionais ESPN, BandSports, Sportv e TNT Sports, entre tantos outros veículos.

Como já falei anteriormente nesta coluna, o esporte é um conteúdo relevante para todos os tipos de  plataformas, pois é o único tipo que tem “hora marcada” e que ajuda a atrair novos assinantes e seguidores. Além de atração, o esporte também funciona bem na retenção destes novos usuários, pois campeonatos longos como Brasileirão, Premier League e LaLiga, entre outros, se estendem por vários meses, sustentando estas assinaturas por um período maior.

O processo de venda de direitos não é uma ciência exata, não é como a venda de um carro, um apartamento ou qualquer outro bem material que se precifica baseado em custos, margem de lucro e outras tantas fórmulas. No caso dos direitos, quem precifica é o mercado. Se ninguém aceita pagar determinado preço pelos direitos de uma competição é porque eles não valem isso. E o valor varia muito de mercado para mercado, a depender do produto e, principalmente, da concorrência. Não chega a ser uma estratégia de precificação dinâmica como a das companhias áereas e até dos ingressos da Copa do Mundo, mas também há um certo dinamismo neste processo.

Em um mercado onde existe apenas um comprador fica mais difícil para quem está vendendo. A Fifa foi “vítima” disso recentemente na negociação dos direitos da Copa do Mundo na China, onde só tinha um comprador para o seu produto. A entidade começou pedindo US$ 300 milhões e acabou vendendo por “apenas” US$ 60 milhões.

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A concorrência, sou obrigado a concordar, é muito melhor para o vendedor do que para os compradores. Quando o mercado está estável, já se sabe onde determinados direitos terminarão. Mas, quando se tem movimentações e novos players, o processo fica mais interessante.

Apenas para lembrar alguns exemplos, o Facebook foi o novo entrante na compra dos direitos da Conmebol Libertadores para o ciclo de 2019 a 2022. Depois, o Paramount+ veio como novidade para o ciclo de 2023 a 2026. Em 2013, o BandSports mexeu no mercado ao tirar Roland Garros da ESPN e, mais recentemente, a CazéTV anunciou a aquisição da LaLiga, que há mais de duas décadas estava na ESPN.

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A concorrência é saudável e ajuda o vendedor. É verdade que dificulta um pouco a vida de quem estava acostumado a assistir a todo o conteúdo em apenas um ou dois serviços diferentes, mas também abre uma janela para novos talentos e novas formas de se comunicar e interagir com a audiência.

O Brasil tem sido um mercado muito competitivo recentemente, em especial desde que o mercado se abriu, em 2021, quando, depois de mais de 30 anos, o SBT voltou a comprar direitos esportivos com a Conmebol Libertadores. Mas a criatividade e a flexibilidade de ambos os lados (vendedor e comprador) no processo de venda de direitos são fundamentais para o sucesso. De lá para cá, novos players passaram a buscar espaço, e a transformação foi gigante. CazéTV, Paramount+, Goat e Record também entraram forte na concorrência por direitos esportivos e, hoje, cada um ocupa um espaço só seu.

Já no restante da América Latina, depois da aquisição da Fox pelo Grupo Disney, a ESPN vinha reinando absoluta até o momento, pois não havia nenhum concorrente de peso para desafiar sua hegemonia. No entanto, este “sossego” parece ter acabado, já que a Paramount voltou com tudo, adquiriu metade da Uefa Champions League em todos os países de língua espanhola e, aqui no Brasil, após a aquisição da Warner, ficará com 100% da competição.

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Outro exemplo é o UFC, que, na América Latina, sempre foi uma propriedade da ESPN, mas também migrou no início deste ano para o Paramount+, inclusive no Brasil, encerrando o UFC Fight Pass que estava no mercado desde 2022.

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Os movimentos estão acontecendo, e a concorrência aumentando, justamente pelo que coloquei lá em cima: o esporte é um conteúdo fundamental para atração e retenção de assinantes, seguidores e usuários. E não tem jeito de não afirmar: para um mercado saudável, quanto mais concorrência, melhor para todos.

O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte

Evandro Figueira é vice-presidente de mídia da IMG na América Latina

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