Alvo de forte polêmica na última Copa do Mundo, por conta da propaganda ostensiva realizada durante as transmissões (especialmente as da CazéTV, que chegou a exibir QR codes para acesso às plataformas e odds no decorrer dos jogos), o tema apostas entrou agora na mira do Sleeping Giants Brasil e da Imagem na Ação.
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As duas organizações enviaram representação ao Ministério Público Federal (MPF), solicitando investigação sobre suposta propaganda dissimulada de apostas realizada por influenciadores e páginas de fofocas de celebridades.
A denúncia, elaborada pelo escritório Viveiros de Castros Advogados Associados, pede ainda apuração sobre possível divulgação de plataformas que operam de maneira irregular no país.
“Estação Central” teve acesso ao documento, em que os autores solicitam ainda que sejam oficiados a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda; a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), no Ministério da Justiça; o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Condeca); e o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar).
Para além do futebol
As bets se popularizam no Brasil, no começo desta década, adotando a estratégia de se associarem a clubes e competições de futebol.
A justificativa era óbvia, já que o esporte é o mais popular do país e acaba por se converter no principal objeto das apostas feitas pelos fãs.
Com o tempo, porém, todos os clubes passaram a exibir alguma bet no uniforme, tornando o esporte um ambiente altamente competitivo para as empresas.
Algumas resolveram centrar sua estratégia em outros espaços menos visados e tiveram êxito. Prova disso é que, hoje em dia, se algum brasileiro do gênero masculino, independentemente de idade, credo ou condição social, ouvir a frase “É o Brazino…”, automaticamente saberá completar a frase, graças à propaganda massiva que a plataforma em questão sempre realizou em sites pornôs (prática que passou a ser vetada, a partir da regulamentação, que entrou em vigor em 2025).
Outras plataformas optaram por espaços ainda mais inusitados, como por exemplo os perfis de influenciadores e páginas de fofocas de celebridades. Um dos principais nomes dessa área, o jornalista Léo Dias costuma divulgar a logomarca da VaideBet (que se tornou famosa pelo polêmico patrocínio firmado ao Corinthians, em 2023, que custou o cargo do ex-presidente Augusto Melo) em quase todos os posts que publica no Instagram.
A despeito de todas as polêmicas em que se envolveu nos últimos anos, a VaideBet é um site que tem autorização para operar no território brasileiro e está livre para anunciar onde bem entender, desde que respeitando as regras em vigor no país.
Mercado preditivo
Bem diferente disso é o mercado preditivo (ou de previsão), que foi proibido no Brasil em 24 de abril de 2026, pela Resolução 5.298/2026, do Conselho Monetário Nacional.
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A norma veda expressamente a oferta e a negociação de contratos derivativos baseados em eventos de natureza não econômica (como política, eleições, realidade e entretenimento).
Na ocasião, o Ministério da Fazenda solicitou à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) que bloqueasse imediatamente 27 conhecidas plataformas do mercado que operavam no país, incluindo a Polymarket.
Às 19h desta quarta-feira (22), a coluna conseguiu acessar o site da Polymarket. A empresa afirmou para as autoridades do país que, a partir deste mês, teria atualizado seu sistema, de modo a aplicar bloqueio extra para impedir permanentemente que usuários conectados a partir do Brasil abram novas posições financeiras.
A imagem abaixo mostra, porém, o que acontece quando alguém clica em um evento alvo de previsões, a partir do interior de São Paulo.

Páginas de fofocas
Na representação ao MPF, Sleeping Giants e Imagem na Ação alegam que perfis de fofocas estariam sendo usados para fazer propaganda dissimulada de apostas do mercado preditivo.
Uma série de publicações feitas por essas páginas, elencadas na denúncia, utilizam notícias sobre celebridades como isca para essa finalidade.
Em geral, os perfis publicam carrosséis, em que a primeira imagem é a informação em si, ao passo que a segunda traz uma cotação do mercado preditivo.
Um dos perfis citados na representação, o Diferentona (que tem mais de 3,4 milhões de seguidores), trazia em sua biografia no Instagram a informação de que era “Embaixador da Polymarket”.
Ao todo, a denúncia elenca 13 sites que estariam promovendo o mercado preditivo para o público brasileiro.
“Como se vê, o conteúdo apontado, embora se apresente sob a aparência de manifestação espontânea de caráter informativo, jornalístico ou recreativo, revela-se, em realidade, aquilo que a doutrina consumerista há muito identifica como publicidade dissimulada, considerada modalidade particularmente gravosa de violação ao dever de transparência, justamente porque impede que o consumidor identifique o momento em que deixa de receber informação e passa a ser destinatário de estratégia destinada à promoção de determinado produto ou serviço”, diz a representação.
Rodrigo Ferrari é jornalista da Máquina do Esporte desde 2022. Formado pela Universidade de São Paulo (USP), atua com política desde 2010
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