Rock in Run, Ludmilla, Tardezinha, Bell Marques. Bandas, artistas, DJs. Todos com sua plataforma de corrida e, assim, o running e a música se fundem em um novo nicho.
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Esse fenômeno faz todo sentido para quem olha de perto.
Mas o que está por trás dele? Uma mudança social profunda e intergeracional.
E ainda: qual será o resultado final dessa fusão, onde chegaremos com isso?
Raízes da transformação
Levantamentos globais dão conta de que caiu em 25% o consumo de bebidas alcoólicas entre os jovens. A diversão saiu da noite e virou dia. No Brasil, o consumo de bebidas caiu inéditos 9% entre 2024 e 2025.
Há uma disputa por qual será o chamado “third place”, como são chamados pela sociologia os locais além do trabalho e de casa que mais frequentamos. E os espaços esportivos têm se tornado alvo principal.
O crescimento dos clubes de corrida e o aumento de faturamento nas academias representam comportamentos emergentes. Relatórios do Strava dão conta de que 56% das pessoas no app acham “run clubs” ótimos lugares para conhecer pessoas. Sim, é uma nova função do esporte: puramente social.
E é aí que entram os shows e festas.
Bateu a endorfina
Festivais de música têm um componente muito parecido com as corridas. São janelas de vida. Isso não é descoberta contemporânea; é descoberta dos primitivos humanos. Festejar é preciso.
Shows e corridas são templos da natureza humana, movimentos quase espirituais. Os artistas estão percebendo isso e abriram uma nova vertical esportiva.
O running virou plataforma de entretenimento. Juntar mundos que se potencializam pode ser uma das chaves para o futuro do esporte.
“Sportainment” contemporâneo
O “sportainment” é um conceito clássico, ilustrado por Shows do Intervalo no Super Bowl ou Cerimônias de Abertura nas Olimpíadas. Já foi em um jogo de beisebol? O esporte é quase um coadjuvante.
Mas 2027 deve ser o ano do “sportainment de participação”.
O conceito de experiência da corrida cai como uma luva para a indústria musical. E nos dois casos o foco passou dos profissionais para os amadores.
Apostas para o futuro
Bolha, tendência, novo paradigma?
É fato que teremos uma oferta grande deste novo binômio música-corrida nos próximos tempos. É fato também que ambos continuam existindo de forma independente.
Para pensar no futuro, faço um paralelo: a explosão dos cruzeiros musicais. Eles tiveram seu pico entre 2009 e 2012. Na temporada 2009/2010, foram 40 tipos.
Em 2012, o cruzeiro de Roberto Carlos tinha capacidade próxima a 4 mil pessoas, estava esgotado meses antes e mantinha uma fila de espera de 800 pessoas.
Mas a maré virou. Em 2017, os números do mercado já eram 50% menores.
Agora, voltaram a crescer: entre 2025 e 2026, houve um aumento de 20% na demanda por cruzeiros temáticos musicais.
Na maré das corridas-show
Faço um paralelo direto: a plataforma de corridas-musicais será em ondas.
Todo mundo que puder fazer, vai fazer. Haverá saturação do formato. Anos depois, a volta.
O conceito em si é vitalício, e o próximo ano é forte.
Mas devemos esperar flutuações que acontecem naturalmente. Experiências temáticas têm ciclos relativamente curtos, a história diz.
Mas não dá mais para “desver” uma relação tão complementar como essa. Para o esporte, novos entrantes. Para os shows, acompanham um novo jeito de viver a vida.
O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte
Daniel Krutman é empreendedor e publicitário. Formado em Comunicação Social, pós-graduado em Ciências do Consumo e mestre em Marketing Digital, ocupa atualmente o cargo de CEO da plataforma de vendas de inscrições Ticket Sports, além de ser fundador da The Squad Academy, hub de conteúdo para o esporte
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