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Daniel Krutman, especial para a Máquina do Esporte

Daniel Krutman

4 min de leitura

Análise

Música, corrida e um paralelo com o Cruzeiro do Rei

Como a busca por socialização e o declínio do consumo de álcool transformaram o esporte no novo fenômeno do entretenimento

Daniel Krutman, especial para a Máquina do Esporte • Colunista

28/09/2026 06h15

Bell Marques, ex-vocalista do Chiclete com Banana, é o nome por trás do circuito de corridas 100% Você - Reprodução / Instagram (@corridacemporcentovc)

⚡ Máquina Fast
  • A fusão entre corrida de rua e música cria um novo nicho de entretenimento social chamado 'sportainment'.
  • O consumo de bebidas alcoólicas entre jovens está caindo, enquanto espaços esportivos ganham importância como locais de convivência social.
  • O formato de corridas com shows deve passar por ciclos de alta e baixa, mas a relação entre música e esporte é uma tendência duradoura.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Rock in Run, Ludmilla, Tardezinha, Bell Marques. Bandas, artistas, DJs. Todos com sua plataforma de corrida e, assim, o running e a música se fundem em um novo nicho.

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Esse fenômeno faz todo sentido para quem olha de perto.

Mas o que está por trás dele? Uma mudança social profunda e intergeracional.

E ainda: qual será o resultado final dessa fusão, onde chegaremos com isso?

Raízes da transformação

Levantamentos globais dão conta de que caiu em 25% o consumo de bebidas alcoólicas entre os jovens. A diversão saiu da noite e virou dia. No Brasil, o consumo de bebidas caiu inéditos 9% entre 2024 e 2025.

Há uma disputa por qual será o chamado “third place”, como são chamados pela sociologia os locais além do trabalho e de casa que mais frequentamos. E os espaços esportivos têm se tornado alvo principal.

O crescimento dos clubes de corrida e o aumento de faturamento nas academias representam comportamentos emergentes. Relatórios do Strava dão conta de que 56% das pessoas no app acham “run clubs” ótimos lugares para conhecer pessoas. Sim, é uma nova função do esporte: puramente social.

E é aí que entram os shows e festas.

Bateu a endorfina

Festivais de música têm um componente muito parecido com as corridas. São janelas de vida. Isso não é descoberta contemporânea; é descoberta dos primitivos humanos. Festejar é preciso.

Shows e corridas são templos da natureza humana, movimentos quase espirituais. Os artistas estão percebendo isso e abriram uma nova vertical esportiva.

O running virou plataforma de entretenimento. Juntar mundos que se potencializam pode ser uma das chaves para o futuro do esporte.

“Sportainment” contemporâneo

O “sportainment” é um conceito clássico, ilustrado por Shows do Intervalo no Super Bowl ou Cerimônias de Abertura nas Olimpíadas. Já foi em um jogo de beisebol? O esporte é quase um coadjuvante.

Mas 2027 deve ser o ano do “sportainment de participação”.

O conceito de experiência da corrida cai como uma luva para a indústria musical. E nos dois casos o foco passou dos profissionais para os amadores.

Apostas para o futuro

Bolha, tendência, novo paradigma?

É fato que teremos uma oferta grande deste novo binômio música-corrida nos próximos tempos. É fato também que ambos continuam existindo de forma independente.

Para pensar no futuro, faço um paralelo: a explosão dos cruzeiros musicais. Eles tiveram seu pico entre 2009 e 2012. Na temporada 2009/2010, foram 40 tipos.

Em 2012, o cruzeiro de Roberto Carlos tinha capacidade próxima a 4 mil pessoas, estava esgotado meses antes e mantinha uma fila de espera de 800 pessoas.

Mas a maré virou. Em 2017, os números do mercado já eram 50% menores.

Agora, voltaram a crescer: entre 2025 e 2026, houve um aumento de 20% na demanda por cruzeiros temáticos musicais.

Na maré das corridas-show

Faço um paralelo direto: a plataforma de corridas-musicais será em ondas.

Todo mundo que puder fazer, vai fazer. Haverá saturação do formato. Anos depois, a volta.

O conceito em si é vitalício, e o próximo ano é forte.

Mas devemos esperar flutuações que acontecem naturalmente. Experiências temáticas têm ciclos relativamente curtos, a história diz.

Mas não dá mais para “desver” uma relação tão complementar como essa. Para o esporte, novos entrantes. Para os shows, acompanham um novo jeito de viver a vida.

O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte

Daniel Krutman é empreendedor e publicitário. Formado em Comunicação Social, pós-graduado em Ciências do Consumo e mestre em Marketing Digital, ocupa atualmente o cargo de CEO da plataforma de vendas de inscrições Ticket Sports, além de ser fundador da The Squad Academy, hub de conteúdo para o esporte

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