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Rodrigo Ferrari - Campinas (SP)

Estação Central

6 min de leitura

Análise

Bap defende liga com “comunhão parcial de bens” e sugere que Leila quer se apossar de SAF do Vasco

Presidente do Flamengo foi uma das atrações do Fórum Nacional de Formação Esportiva e CBC & Clubes Expo 2026, em Campinas (SP)

Rodrigo Ferrari - Campinas (SP) • Colunista

23/04/2026 20h18

Bap, presidente do Flamengo, concede entrevista no Fórum Nacional de Formação Esportiva e CBC & Clubes Expo 2026 - Rodrigo Ferrari / Máquina do Esporte

⚡ Máquina Fast
  • Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo, defende a comunhão parcial de bens para uniões afetivas e futebolísticas.
  • Bap apoia a liga unificada no futebol brasileiro, mas quer que respeite os direitos financeiros já existentes entre os clubes.
  • Debate no Fórum Nacional de Formação Esportiva abordou os efeitos da reforma tributária e a necessidade de maior presença do esporte em Brasília.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Estamos a uma semana de maio, tradicionalmente conhecido como mês das noivas. No passado, era comum que muitas pessoas deixassem para se casar nesse período.

E já que o assunto é enlace matrimonial, o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, tem um conselho valioso para os casais enamorados, no tocante ao melhor modelo de união a ser adotado nessas ocasiões.

O cartola rubro-negro é defensor da “comunhão parcial de bens”, regime em que os cônjuges compartilham apenas aquilo que foi adquirido após o casamento.

Bap defende esse modelo não apenas para as uniões afetivas, mas também para as futebolísticas. O dirigente teve a oportunidade de discorrer sobre esse e outros temas numa entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (23), após sua participação no Fórum Nacional de Formação Esportiva e CBC & Clubes Expo 2026, que é promovido pelo Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) em Campinas (SP).

Liga unificada

Bap foi perguntado pela Máquina do Esporte quanto à posição do Flamengo acerca da proposta de criação da liga unificada no Brasil.

Conforme a coluna já relatou, no começo deste mês o dirigente optou por deixar o Hotel Hilton Barra, no Rio de Janeiro (RJ), sem conceder entrevista e relatar suas impressões a respeito da reunião organizada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para tratar do tema.

Bap garantiu que não é contra a liga e que, na verdade, o Flamengo sempre apoiou a ideia. Porém, ele afirmou que essa eventual união teria de ser em “comunhão parcial de bens”.

“Invadir o que o outro já tem é apropriação”, afirmou o cartola, numa referência às constantes polêmicas referentes ao modelo de divisão de receitas entre os clubes.

Bap avalia que uma liga bem construída poderia duplicar ou até triplicar o faturamento do ecossistema do futebol brasileiro.

Leila Pereira

Ao responder à pergunta da Máquina do Esporte, Bap não perdeu a oportunidade de disparar contra a presidente do Palmeiras, Leila Pereira.

Sem citar nominalmente a dirigente rival (mas mencionando de maneira clara a empresa que ela comanda), o presidente do Flamengo voltou a criticar o empréstimo de R$ 80 milhões feito pela Crefisa ao arquirrival Vasco.

Na visão de Bap, o negócio seria uma forma de Leila controlar dois clubes ao mesmo tempo.

“Se eu fosse dono de um banco que fosse fazer um empréstimo desses, pediria como garantia o Estádio de São Januário, que é um ativo real”, declarou Bap.

Para ele, ao colocar como garantia do empréstimo ações da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Vasco, a Crefisa busca, na verdade, assumir o controle do Gigante da Colina.

Aliás, o clube negocia de fato com Marcos Lamacchia, enteado de Leila Pereira, a possível venda da SAF.

“Abre-te, Sésamo”

Um dos temas debatidos no Fórum Nacional de Formação Esportiva e CBC & Clubes Expo 2026 foi o efeito que as recentes mudanças tributárias implementadas no país podem ocasionar ao sistema esportivo brasileiro.

Bap participou de debate sobre os impactos da reforma tributária para os clubes associativos – Rodrigo Ferrari / Máquina do Esporte

A cobrança de tributos das associações esportivas sem fins lucrativos é um dos assuntos que mais têm tirado o sono dos dirigentes esportivos.

Lars Grael, que conduziu o debate, relatou como foi a peregrinação feita pelas entidades esportivas ao Planalto Central, tentando convencer parlamentares a reverterem essa e outras medidas.

Um dos momentos de maior apreensão, segundo o ex-velejador, consistia no encontro com Randolfe Rodrigues (PT/AP), líder do governo Lula no Senado Federal.

Os membros da comitiva não faziam ideia de como seria a recepção. Lars Grael conta que ficou mais aliviado ao notar que no gabinete do senador havia uma bandeira do Flamengo, posicionada entre a do Amapá e a do Brasil.

As presenças de Bap e sobretudo do ex-jogador Zico na caravana teriam sido, de acordo com Lars Grael, fundamentais para que a reunião fluísse bem.

O Galinho, na visão do ex-velejador, teria representado o equivalente ao “Abre-te, Sésamo” para os representantes dos clubes associativos.

Ministro

O ministro do Esporte, Paulo Henrique Cordeiro, esteve presente ao CBC & Clubes Expo 2026.

Ele não participou de palestras ou debates, mas almoçou na companhia de dirigentes de entidades esportivas.

Durante esse encontro, Cordeiro contou aos presentes que, no ano passado, mais de R$ 1 bilhão arrecadados pelo Governo Federal junto às casas de apostas (valor que deveria ter sido investido no esporte) acabou sendo contingenciado.

O fato foi relatado pelo presidente da Confederação Nacional de Clubes (Fenaclubes), Arialdo Boscolo, no painel sobre os impactos da reforma tributária.

COB

O presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Marco Antônio La Porta também participou do debate sobre a reforma tributária.

Ele afirmou que a entidade pretende se fazer mais presente em Brasília, para buscar discutir os temas da área de uma maneira proativa, ou seja, não apenas reagindo a propostas que retiram recursos do esporte, mas buscando ampliar os investimentos públicos para setor.

O dirigente fez questão de frisar que essa postura seria uma medida adotada pela atual gestão do COB (ou seja, que seus antecessores estavam afastados da capital federal).

“Patinho feio”?

La Porta demonstrou otimismo em relação às chances de as entidades esportivas reverterem decisões que impactam os investimentos no setor.

Ele comentou que, em geral, o esporte costuma ser tratado pelos políticos como uma espécie de “Patinho Feio”, uma vez que governos e parlamentares sempre tendem a retirar recursos da área.

Porém, segundo La Porta, quando entidades e atletas se mobilizam, conseguem obter vitórias políticas expressivas.

“Que raio de ‘Patinho Feio’ é esse que aprova tudo por unanimidade?”, brincou o dirigente, referindo-se à mobilização que resultou na Lei de Incentivo ao Esporte permanente, ocorrida no ano passado.

Vale lembrar que o “Patinho Feio” do conto de Hans Christian Andersen nunca foi pato, nem ganso, nem marreco. Ele era um cisne que acabou sendo chocado no ninho errado.

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