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Luis Ferrari, especial para a Máquina do Esporte

Luis Ferrari

4 min de leitura

Análise

Fratura exposta na Stock Car

Saída da Scuderia Bandeiras e briga na Justiça terminarão sem vencedores de fato; já a lista de perdedores é ampla e bastante democrática, atingindo o "ecossistema" do automobilismo brasileiro de forma pulverizada

Luis Ferrari, especial para a Máquina do Esporte • Colunista

05/08/2026 06h30

Com grandes nomes do automobilismo nacional envolvidos no projeto, Scuderia Bandeiras deixou unilateralmente a Stock Car - Divulgação

⚡ Máquina Fast
  • Scuderia Bandeiras deixa a Stock Car em meio a disputas judiciais e desacordos contratuais.
  • Crise na Stock Car em 2025 inclui problemas com novo SUV, acidentes e debandada de patrocinadores e competidores.
  • Ausência de Átila Abreu, Barrichello e Piquet Jr. fragiliza o mercado do automobilismo brasileiro.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Mal a Stock Car superou o noticiário rumoroso envolvendo o Banco BRB com a substituição pelo Bradesco, apareceu em seu horizonte uma nova crise potencial. A saída da Scuderia Bandeiras no meio da temporada é o mais recente e visível capítulo da turbulência que insiste em se manifestar ao redor da mais tradicional categoria do automobilismo brasileiro.

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Depois de uma temporada de 2024 marcada por recursos no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e acusações de adulteração dos pneus, o ano de 2025 prometia muito com a chegada de um novíssimo e altamente tecnológico SUV alimentado com motor turbo.

O resultado, porém, foi decepcionante. Houve quebradeira dos carros, questionamento da segurança na Justiça comum em uma ação movida por Bruno Baptista após um forte acidente em Brasília (DF), debandada de patrocinadores e competidores ameaçados de sanções financeiras por criticarem publicamente a categoria.

Então, no fim do ano, foi anunciado o retorno aos tradicionais motores V8. A volta ao pacote que tradicionalmente sempre esteve no gosto dos fãs em parte disfarçou o fracasso de uma parcela relevante do novo e revolucionário projeto (além de trazer a reboque mais custos atrelados).

Este é um dos pontos de divergência entre a Scuderia Bandeiras, chefiada pelo piloto Átila Abreu e que preparava carros também para Rubens Barrichello, Nelson Piquet Jr. e Rafael Suzuki neste ano.

O time alega que foi cobrado pela organização para arcar com a atualização dos carros para os novos motores e que isso, pelo contrato firmado com a Stock Car, seria de incumbência da categoria como correção do problema crônico apresentado em 2025.

Então veio uma série de notificações judiciais por temas diversos e a rumorosa desclassificação de dois carros da equipe no STJD por irregularidades no sistema de freios, o que o time também contesta em um dos inúmeros vídeos que publicou desde sua decisão de sair unilateralmente da categoria.

A debandada da Bandeiras expôs uma série de temas até então tratados nos bastidores entre a Stock Car e seu “ecossistema”, para usar um termo caro à categoria. Átila Abreu não escondeu sua insatisfação, disse que manterá o emprego dos mais de 50 colaboradores contratados pelo time e que continuará lutando na Justiça comum para recuperar parte do investimento de mais de R$ 20 milhões que fez de boa-fé por acreditar no projeto oferecido pela Stock Car.

A categoria sustenta que a decisão do piloto de retirar seu time foi unilateral, argumento que a Bandeiras endossa, com a ressalva de que o fez por justa causa em virtude do não cumprimento do contrato e de uma série de notificações que nunca foram respondidas. Além disso, a equipe ainda acrescenta ter tido o respaldo de todos os patrocinadores para abandonar o campeonato.

É difícil saber quem tem razão nessa disputa. Provavelmente nenhuma das duas partes está 100% coberta em seus argumentos, seja na forma de manifestá-los ou no mérito das alegações.

Mas os sinais são de que a possibilidade de um entendimento pacífico entre a Bandeiras e a Stock Car já passou há muito tempo do ponto.

O que é certo é que uma briga desse porte mina todo o mercado do esporte a motor no Brasil.

Rubens Barrichello e Nelson Piquet Jr., que estavam na disputa pelo título, agora estão alijados de competir na categoria. Foram vítimas colaterais.

Enquanto isso, o mercado fica em compasso de espera, cauteloso pelo que pode vir das varas judiciais de Cotia (SP), onde tramitam as ações. E logicamente atento para outras oportunidades, sejam em outros eventos de esporte a motor ou mesmo em outras modalidades.

Apontar um vencedor nessa briga que expôs de forma pejorativa os bastidores da Stock Car será tarefa praticamente impossível. Já a lista de perdedores é ampla e bastante democrática, atingindo o “ecossistema” de forma pulverizada.

O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte

Luis Ferrari é sócio-fundador da Ferrari Promo, agência-boutique com ênfase no mercado do esporte a motor, e possui formações em Jornalismo e Direito, extensão universitária em Marketing e pós-graduação em Jornalismo Literário, além de ser empresário de relações públicas

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