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Savannah Bananas: O que sustenta o negócio de US$ 100 milhões por trás do fenômeno do beisebol

Receita própria, controle criativo e foco na experiência do fã ajudam a explicar por que o projeto cresce fora da estrutura tradicional do esporte

Uma coisa é certa: o Savannah Bananas é certeza de estádio lotado - Reprodução

⚡ Máquina Fast
  • Savannah Bananas faturou mais de US$ 100 milhões em 2025, com lucro e receita concentrada em bilheteria, turnês e produtos licenciados.
  • Clube vendeu 2,2 milhões de ingressos com taxa de 91% de comparecimento, apesar do preço médio superior ao de times da MLB.
  • Equipe recusa ofertas de investimento bilionárias para manter controle criativo e prioriza a experiência do fã, abrindo mão de receitas pontuais.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

A segunda parte da reportagem sobre o Savannah Bananas chegou. Anteriormente, a Máquina do Esporte mostrou como o time amador de beisebol, que praticamente criou um novo esporte, consegue atrair e entreter milhares de torcedores que vão às suas partidas/shows, e como isso levou a equipe a um acordo com a Disney.

Agora, a ideia é falar mais sobre engrenagem por trás desta máquina. A começar pelo faturamento: a equipe teve uma receita superior a US$ 100 milhões em 2025, e com lucro. Para efeito de comparação, o Atlanta Braves, time da MLB, faturou US$ 732 milhões no mesmo ano, mas teve um lucro operacional de apenas US$ 23,4 milhões. Em valor absoluto, o Savannah Bananas fatura uma fração do que um time grande de liga tradicional fatura.

A diferença está na estrutura, já que sua receita é mais concentrada em bilheteria, turnês, produtos licenciados e experiência ao vivo, e menos nas fontes mais comuns, como direitos de transmissão e patrocínios, que, apesar de maiores, também são mais voláteis. É essa concentração em receita própria, e não a ausência de custos, que dá ao negócio uma base mais previsível para trabalhar.

Ingresso não tão barato assim, mas sempre enche

O ingresso do Savannah Bananas desafia a fama de barato que o clube carrega. Em estádios grandes, a entrada custa cerca de US$ 40, valor acima do preço mínimo médio da própria MLB, que é de US$ 34,82. A diferença real aparece na ponta mais cara da liga, onde franquias como Los Angeles Dodgers e New York Yankees cobram entrada mínima acima de US$ 65.

A sensação de acesso a um show completo de duas horas, com espaço até para quem nunca acompanhou beisebol na vida, é um dos principais diferenciais. Mesmo com esse posicionamento de preço, o clube vendeu 2,2 milhões de ingressos em 113 jogos em 2025, com taxa de comparecimento de 91%. E ainda teve mais de 4 milhões de pessoas na lista de espera para 2026.

Tour do clube em 2025 passou por diversas cidades dos EUA – Reprodução

A camiseta que vale mais que o ingresso

O merchandising, sozinho, gerou mais de US$ 50 milhões em receitas em 2025, com quase 2 milhões de itens vendidos. Cerca de 80% dessas vendas aconteceram dentro do estádio, com o clube construindo um centro de distribuição de 9.300 m² só para dar conta da demanda.

As coleções também mudam por cidade e por estádio, o que dá à camiseta um aspecto de souvenir e escassez.

Digital superforte

Boa parte do que sustenta esse modelo, porém, vem de fora do estádio. A audiência digital do Savannah Bananas conta com mais de 35 milhões de seguidores, somando-se TikTok, Instagram, Facebook e YouTube, com mais de 340 milhões de visualizações apenas no TikTok.

Esse volume já supera o alcance digital de times consolidados da MLB, como o próprio New York Yankees. É esse tamanho de audiência que ajuda a explicar por que a Disney topou fechar o acordo de distribuição que foi mostrado na reportagem anterior, mesmo sem o time depender da TV para sobreviver.

@thesavbananas

We don’t remember the sound of a PC crashing being this catchy 😅 #savannahbananas #dance #throwback #nostalgia #viral @Kyle.luigs @TheGloveMagician @Jackson Olson @DR Meadows @Bill LeRoy

♬ original sound – thesavbananas

Recusar dinheiro para manter o controle

Em 2025, uma falha no sistema de ingressos afetou 40 mil fãs. Ao invés de empurrar o prejuízo para o consumidor, o Savannah Bananas deu entrada gratuita a todos os afetados, abrindo mão de cerca de US$ 6 milhões em receita potencial. O clube também já recusou uma oferta de investimento que chegou a avaliar a empresa em até US$ 1 bilhão, justamente para não perder o controle criativo sobre o próprio produto.

O que une essas cinco frentes é a disposição de abrir mão de receita pontual para proteger a experiência do fã e a marca no longo prazo. E é isso que sustenta o negócio por trás desse “circo esportivo”.