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O que a venda do Seattle Seahawks ensina ao mercado esportivo

Franquia da NFL, que acaba de se sagrar campeã do Super Bowl LX, vira exemplo de uma nova lógica de geração de valor no esporte global

Telão no Estádio Lumen Field celebra o título do Super Bowl LX conquistado pelo Seattle Seahawks - Reprodução / X (@Seahawks)

⚡ Máquina Fast
  • Seattle Seahawks inicia processo de venda estimado em mais de US$ 6 bilhões, seguindo determinação do testamento de Paul Allen.
  • Parte dos recursos da venda será destinada à filantropia, ampliando o conceito de retorno financeiro para impacto social.
  • Transação sinaliza maturidade do mercado esportivo, promovendo ciclo virtuoso entre esporte, riqueza e impacto social.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

O Seattle Seahawks, uma das equipes mais valiosas da NFL e campeão do Super Bowl LX, após vencer o New England Patriots por 29 a 13 no começo do mês passado, iniciou seu processo de venda. Estimativas de mercado apontam que a transação pode superar US$ 6 bilhões, colocando-a entre as maiores da história do esporte norte-americano.

A decisão segue determinação do testamento de Paul Allen, cofundador da Microsoft e proprietário do time até sua morte, em 2018. O ponto que diferencia essa operação: parte dos recursos obtidos com a venda será destinada à filantropia.

LEIA MAIS: Seattle Seahawks é colocado à venda após vitória no Super Bowl LX

Vender um ativo esportivo no momento de maior valorização financeira é inteligência estratégica. Mas, neste caso, o movimento vai além do valuation.

Estamos diante de uma transação bilionária cujo final não será apenas a troca de controle, mas a conversão de capital privado em impacto social.

Isso provoca uma reflexão importante para o mercado esportivo.

Durante décadas, a lógica foi adquirir ativos, profissionalizar a gestão, ampliar receitas e vender com múltiplos superiores. Um ciclo legítimo de geração de valor.

O caso dos Seahawks acrescenta uma camada adicional: o lucro como meio, não como fim.

Ao longo da vida, Paul Allen destinou bilhões de dólares a iniciativas em ciência, educação, saúde e meio ambiente, e foi signatário do The Giving Pledge, iniciativa criada por Bill Gates e Warren Buffett, da qual também fazem parte empresários como Mark Zuckerberg. O compromisso prevê que bilionários destinem a maior parte de suas fortunas a causas filantrópicas.

Para a indústria do esporte, isso traz três implicações estratégicas.

Primeiro, reforça que franquias esportivas são ativos globais de altíssimo valor econômico.

Segundo, amplia o conceito de retorno. O retorno sobre o investimento (ROI) pode, e cada vez mais deve, ser analisado também sob a ótica institucional e social, algo relevante para investidores, patrocinadores e demais partes interessadas (stakeholders).

Terceiro, sinaliza maturidade de mercado. Quando parte relevante do valor gerado retorna à sociedade, cria-se um ciclo virtuoso: o esporte gera riqueza, a riqueza financia impacto, e o impacto fortalece o ambiente que sustenta a própria indústria.

Não se trata de romantizar o capital. Trata-se de compreender sua evolução.

Vender no auge é inteligência financeira. Destinar o resultado à sociedade é visão sistêmica.

Talvez esse seja um dos sinais mais claros da maturidade do mercado esportivo global: o lucro não precisa ser o ponto-final da história.

Pode ser o início de um legado.

O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte

Eduardo Corch é diretor-geral da EMW Global e professor do Insper. Tem 25 anos de experiência no mercado esportivo, com passagens por Adidas, Grupo BRF e Bridgestone, além de agências como Havas Sports & Entertainment. Foi líder de projeto na Copa do Mundo do Brasil 2014 (Adidas) e Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro 2016 (Bridgestone), e gerenciou contratos de patrocínios com clubes, atletas e entidades esportivas

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