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Alice Laurindo, especial para a Máquina do Esporte

Alice Laurindo

4 min de leitura

Análise

Os primeiros passos da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade no Futebol

Anresf já está desenvolvendo um portal digital e um sistema de gestão, de modo a centralizar todas as informações que deverão ser recebidas e organizadas pelo órgão

Alice Laurindo, especial para a Máquina do Esporte • Colunista

11/03/2026 06h20

Ricardo Gluck Paul, vice-presidente da CBF, presidiu o Grupo de Trabalho do Fair Play Financeiro - Bruno Fernandez / FPF

Ricardo Gluck Paul, vice-presidente da CBF, presidiu o Grupo de Trabalho do Fair Play Financeiro - Bruno Fernandez / FPF

⚡ Máquina Fast
  • Anresf nomeia seus sete diretores, com mandato de quatro anos, e inicia estrutura operacional para gerir o Sistema de Sustentabilidade Financeira do futebol.
  • Anresf desenvolve portal digital e sistema de gestão para centralizar informações sobre contratos e transferências onerosas dos clubes.
  • Prazos de fiscalização e entrega de demonstrações financeiras já estão estabelecidos, com foco em ação educativa e suporte técnico aos clubes.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Na minha última coluna aqui na Máquina do Esporte, que foi ao ar no fim de janeiro, expus as principais características do modelo anunciado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com a disponibilização do Regulamento do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF). Na oportunidade, indiquei que havia sido instituída a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), como guardiã desse sistema.

Desde então, houve a nomeação dos sete diretores da Anresf, assim como foi realizada sua primeira reunião, em 5 de fevereiro. Nesta coluna, irei, então, expor o que foi divulgado sobre o encontro, acompanhando os primeiros passos da SSF.

A CBF indicou Caio Cordeiro de Resende (eleito presidente pelos demais), Cesar Grafietti, Marcelo Doval Mendes, Pedro Henrique Martins de Araújo Filho, Vantuil Gonçalves Junior, Igor Mauler Santiago e José Fausto Moreira Filho como diretores da Anresf. Da análise dos currículos divulgados pela própria entidade, constata-se que foram nomeados três economistas (dentre os quais o presidente) e quatro advogados, confirmando a expectativa de que se trataria de um órgão multidisciplinar.

Os diretores possuirão mandato de quatro anos. Foi anunciado, ainda, que a Anresf está montando sua estrutura operacional. O órgão deverá, portanto, contratar, nas próximas semanas, uma equipe especializada que ajudará os diretores em sua atuação.

Também foi divulgado que a Anresf já está desenvolvendo um portal digital e um sistema de gestão, de modo a centralizar todas as informações que deverão ser recebidas e organizadas pelo órgão.

Nesse sentido, lembramos que, de acordo com o Regulamento do SSF, os clubes deverão registrar no sistema que está sendo criado os termos da contratação de atletas e membros de comissão técnica (incluindo contrato de trabalho, contrato de imagem e eventuais outros ajustes, como contrato de premiação ou bonificação) e os termos ajustados entre clubes para transferências onerosas (incluindo valores fixos e variáveis).

Também será por intermédio desse sistema que os credores poderão denunciar, diretamente à Anresf, o inadimplemento de obrigações financeiras do clube, nos termos do SSF.

Foi relatado inclusive que, em parceria com a Diretoria de Registro, Transferência e Licenciamento da CBF, a Anresf já obteve dados relativos às transferências onerosas realizadas na última janela de transferências. Foi divulgada, então, uma lista com 40 operações onerosas realizadas em janeiro e que já estão sujeitas às regras do SSF.

A Anresf também ressaltou os principais prazos estabelecidos pelo SSF:

  • 31 de março: primeiro momento de fiscalização do controle de dívidas do período anterior, findo em 28 de fevereiro;
  • 30 de abril: entrega e publicação das Demonstrações Financeiras completas relativas ao ano anterior, acompanhadas de auditoria independente;
  • 31 de julho: segundo momento de fiscalização do controle de dívidas;
  • 30 de novembro: terceiro momento de fiscalização do controle de dívidas; e
  • 15 de dezembro: entrega do orçamento para o exercício seguinte.

Por fim, a Anresf afirmou ser sua prioridade não agir apenas como um órgão punitivo, mas sim como “um agente de transformação cultural no futebol brasileiro”. Em decorrência disso, o órgão planeja realizar iniciativas educativas, assim como fornecer suporte técnico aos clubes nesse momento de implantação do SSF.

Com a primeira reunião da Anresf, o novo modelo de SSF começa, portanto, a criar forma, sendo certo que deverá continuar sendo acompanhado de perto nas próximas semanas e meses.

O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte

Alice Laurindo é mestra em Processo Civil e bacharel pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), em que é conselheira do Grupo de Estudos de Direito Desportivo. Além disso, atua como advogada no escritório Bichara e Motta Advogados, com foco nas áreas de Direito Desportivo, Direito do Entretenimento e Contencioso Cível, e é membra da IB|A Académie du Sport e do Laboratório de Pesquisa da Academia Nacional de Direito Desportivo (ANDD LAB)

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