Mal a Stock Car superou o noticiário rumoroso envolvendo o Banco BRB com a substituição pelo Bradesco, apareceu em seu horizonte uma nova crise potencial. A saída da Scuderia Bandeiras no meio da temporada é o mais recente e visível capítulo da turbulência que insiste em se manifestar ao redor da mais tradicional categoria do automobilismo brasileiro.
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Depois de uma temporada de 2024 marcada por recursos no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e acusações de adulteração dos pneus, o ano de 2025 prometia muito com a chegada de um novíssimo e altamente tecnológico SUV alimentado com motor turbo.
O resultado, porém, foi decepcionante. Houve quebradeira dos carros, questionamento da segurança na Justiça comum em uma ação movida por Bruno Baptista após um forte acidente em Brasília (DF), debandada de patrocinadores e competidores ameaçados de sanções financeiras por criticarem publicamente a categoria.
Então, no fim do ano, foi anunciado o retorno aos tradicionais motores V8. A volta ao pacote que tradicionalmente sempre esteve no gosto dos fãs em parte disfarçou o fracasso de uma parcela relevante do novo e revolucionário projeto (além de trazer a reboque mais custos atrelados).
Este é um dos pontos de divergência entre a Scuderia Bandeiras, chefiada pelo piloto Átila Abreu e que preparava carros também para Rubens Barrichello, Nelson Piquet Jr. e Rafael Suzuki neste ano.
O time alega que foi cobrado pela organização para arcar com a atualização dos carros para os novos motores e que isso, pelo contrato firmado com a Stock Car, seria de incumbência da categoria como correção do problema crônico apresentado em 2025.
Então veio uma série de notificações judiciais por temas diversos e a rumorosa desclassificação de dois carros da equipe no STJD por irregularidades no sistema de freios, o que o time também contesta em um dos inúmeros vídeos que publicou desde sua decisão de sair unilateralmente da categoria.
A debandada da Bandeiras expôs uma série de temas até então tratados nos bastidores entre a Stock Car e seu “ecossistema”, para usar um termo caro à categoria. Átila Abreu não escondeu sua insatisfação, disse que manterá o emprego dos mais de 50 colaboradores contratados pelo time e que continuará lutando na Justiça comum para recuperar parte do investimento de mais de R$ 20 milhões que fez de boa-fé por acreditar no projeto oferecido pela Stock Car.
A categoria sustenta que a decisão do piloto de retirar seu time foi unilateral, argumento que a Bandeiras endossa, com a ressalva de que o fez por justa causa em virtude do não cumprimento do contrato e de uma série de notificações que nunca foram respondidas. Além disso, a equipe ainda acrescenta ter tido o respaldo de todos os patrocinadores para abandonar o campeonato.
É difícil saber quem tem razão nessa disputa. Provavelmente nenhuma das duas partes está 100% coberta em seus argumentos, seja na forma de manifestá-los ou no mérito das alegações.
Mas os sinais são de que a possibilidade de um entendimento pacífico entre a Bandeiras e a Stock Car já passou há muito tempo do ponto.
O que é certo é que uma briga desse porte mina todo o mercado do esporte a motor no Brasil.
Rubens Barrichello e Nelson Piquet Jr., que estavam na disputa pelo título, agora estão alijados de competir na categoria. Foram vítimas colaterais.
Enquanto isso, o mercado fica em compasso de espera, cauteloso pelo que pode vir das varas judiciais de Cotia (SP), onde tramitam as ações. E logicamente atento para outras oportunidades, sejam em outros eventos de esporte a motor ou mesmo em outras modalidades.
Apontar um vencedor nessa briga que expôs de forma pejorativa os bastidores da Stock Car será tarefa praticamente impossível. Já a lista de perdedores é ampla e bastante democrática, atingindo o “ecossistema” de forma pulverizada.
O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte
Luis Ferrari é sócio-fundador da Ferrari Promo, agência-boutique com ênfase no mercado do esporte a motor, e possui formações em Jornalismo e Direito, extensão universitária em Marketing e pós-graduação em Jornalismo Literário, além de ser empresário de relações públicas
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