A Assembleia Geral do Futebol Forte União (FFU) agendada para esta quinta-feira (9), em São Paulo (SP), pode iniciar um movimento de debandada dentro do bloco econômico.
Nesta terça-feira (7), o Operário-PR encaminhou requerimento ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), assinado pelo advogado Eric Hadmann Jasper, solicitando a alteração do profissional jurídico que o representa junto à autarquia federal.
O advogado até então constituído para exercer essa função vinha sendo nomeado pelo Condomínio Forte União.
Conforme noticiou a Máquina do Esporte, no último mês o então superintendente do Cade Alexandre Barreto assinou uma medida preventiva proibindo a investidora Sports Media de criar obstáculos para que clubes deixem o FFU.
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A partir dessa decisão, o Operário-PR enviou notificação ao bloco econômico informando sua intenção de deixar o arranjo e também recomprar seus direitos de arena, que hoje têm um percentual controlado pela Sports Media.
À época, o clube chegou a notificar a investidora e o Condomínio Forte União, acerca dessa recompra.
“Até a presente data, contudo, não houve qualquer resposta — silêncio que, na prática, nega ao clube um direito evidente e o impede de avaliar livremente outras propostas e caminhos para a exploração de seus direitos”, diz a petição do Operário-PR.
Qual o impacto do movimento do Operário-PR?
Ao pedir a substituição do advogado que o representa junto ao Cade, o Operário-PR indica que está disposto a apelar a todas as medidas possíveis para deixar o Condomínio Forte União.
A estratégia jurídica do time paranaense pode apontar um caminho para outros clubes que hoje estão descontentes com os rumos do bloco econômico (que não são poucos, como ficou evidente após a divulgação da decisão do Cade, no mês passado).
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Relação com a investidora em jogo
O edital da Assembleia desta quinta informa que os clubes irão “deliberar sobre mecanismos e formas para criação de uma gestão administrativa e financeira mais eficiente e autônoma da associação”.
Nos bastidores, dirigentes de alguns clubes têm acusado a investidora de engessar as finanças dos clubes, não apenas por conta das regras internas do Condomínio, mas também pelos contratos de cessão dos percentuais dos direitos comerciais e de mídia, válidos pelo período de 50 anos.
Além de abocanhar uma parte daquelas que costumam ser as maiores fontes de receitas dos times brasileiros (em troca de adiantamentos que já foram gastos pela maioria das equipes, sem acarretar em grandes transformações estruturais), a Sports Media também passou a deter a exclusividade de decidir com quem os clubes podem negociar esses direitos.
A busca por essa gestão mais autônoma no bloco pode representar um ponto de tensão (ou quem sabe até de ruptura) em um modelo de negócios que foi projetado para durar décadas, mas que pode sucumbir muito antes do planejado.
Veteranos da seleção pedem ciclo mais tranquilo para novatos
Após a eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026 diante da Noruega, no último domingo (5), jogadores que estão em vias de se despedir da “amarelinha” aproveitaram o momento de reflexão para pedir, ainda no vestiário, que o comando da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) garanta um ciclo mais tranquilo para os jovens atletas que deverão seguir no time, nos próximos anos.
Os atletas veteranos fizeram o pedido em favor dos novatos diretamente ao diretor de seleções da entidade, Rodrigo Caetano, e também ao presidente Samir Xaud.
Caos
Na avaliação dos atletas veteranos, o ciclo de preparação para a Copa de 2026 foi considerado caótico.
Nesse período, a entidade máxima do futebol brasileiro passou por crises políticas que resultaram na perda do mandato do ex-presidente Ednaldo Rodrigues, além de mudanças recorrentes de técnicos, que não conseguiram fazer a equipe render em campo.
Sem avião
Um dos exemplos do caos citado pelos atletas veteranos envolve a Copa América de 2024, disputada em Las Vegas, nos Estados Unidos.
O Brasil acabou sendo eliminado do torneio nas oitavas de final, após levar a pior na disputa de pênaltis com o Uruguai. E ainda viu a Argentina de Lionel Messi erguer mais um troféu.
À época, segundo relato de jogadores que disputaram a competição, Ednaldo Rodrigues irritou-se com o desempenho do time e decidiu cancelar o voo fretado que traria atletas e comissão técnica de volta ao Brasil.
Com isso, os profissionais brasileiros tiveram de passar vários dias aguardando nos Estados Unidos, até conseguirem um voo comercial que os trouxesse para a casa.
Rodrigo Ferrari é jornalista da Máquina do Esporte desde 2022. Formado pela Universidade de São Paulo (USP), atua com política desde 2010
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