A Copa do Mundo de 2026, que está em vias de acabar, certamente será lembrada pelos muitos recordes quebrados, que vão desde o número de seleções participantes até o público nos estádios, sem contar as marcas pessoais de alguns atletas, caso de Lionel Messi, que se tornou o maior artilheiro dos Mundiais até aqui, com 21 gols marcados, um a mais que Kylian Mbappé.
Alguns recordes desta edição foram de fato assombrosos, em especial o dos preços dos ingressos, que atingiram patamares nunca antes vistos, mesmo em um torneio dessa categoria.
Para a final entre Espanha e Argentina, as entradas para alguns setores estão sendo comercializadas por cerca de US$ 34 mil.
Essa situação é resultado da política de preços dinâmicos de ingressos adotada pela Federação Internacional de Futebol (Fifa), nesta Copa. Foi a primeira vez que o modelo de precificação entrou em vigor em um torneio da entidade.
A Máquina do Esporte apurou que o sistema de preços dinâmicos estava longe de ser uma unanimidade dentro da Fifa.
Na verdade, diretores mais antigos da instituição rechaçavam a ideia, por temerem justamente que isso pudesse resultar numa disparada dos valores, especialmente em situações favoráveis à especulação por conta da forte demanda (fato visto, por exemplo, na semifinal entre México e Inglaterra, quando ingressos de setores premium chegaram a atingir um preço de revenda de US$ 36 mil).
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Conforme a Máquina do Esporte apurou, o modelo flexível acabou sendo adotado, mesmo sem unanimidade na direção da Fifa, por pressão dos Estados Unidos, país que recebeu a maioria dos 104 jogos do Mundial e que passou a ditar de fato dos rumos da entidade, desde a eclosão do escândalo do Fifagate, na década passada, quando o FBI prendeu uma série cartolas influentes, alterando para sempre a correlação de forças na dinâmica do poder no futebol mundial.
Flexibilizar para lucrar
A estratégia adotada pela Fifa nesta Copa foi a de flexibilizar para lucrar. A entidade projeta faturar cerca de US$ 16 bilhões no Mundial de 2026, mas alguns especialistas estimam que as receitas podem bater a casa do US$ 19 bilhões.
Ingressos com preços astronômicos são um dos fatores que ajudaram a Fifa a lucrar como nunca na edição atual do torneio.
Que Copa do Mundo é um grande negócio, isso é algo público e notório, desde os tempos em que brasileiro João Havelange presidiu a entidade, entre 1974 e 1998.
Há de se reconhecer, porém, que mesmo priorizando as receitas, a entidade sempre procurou respeitar alguns limites, de modo a que os interesses comerciais não sobrepujassem a parte esportiva.
Em 2026, Gianni Infantino e sua trupe flexibilizaram (ou melhor, rasgaram) algumas regras básicas do futebol, buscando criar novas formas de faturar. Querer lucrar não chega a ser um problema, desde que essa sanha não seja tão escancarada a ponto de ofuscar o próprio jogo que é disputado em campo.
As famigeradas pausas para hidratação, que tanto têm sido vaiadas nos estádios, são um exemplo claro desse tipo de situação, assim como o show do intervalo na final da Copa, que irá ultrapassar o prazo máximo estabelecido pela na regra número 7 da International Football Association Board, que é de 15 minutos.
Custo elevado
Encerrada a Copa, Infantino certamente virá a público celebrar o faturamento estrondoso e os recordes de público e audiência do torneio em 2026, ignorando, no entanto, o enorme mal-estar que isso tudo tem provocado não apenas entre os fãs do esporte mais popular do planeta, mas com os próprios dirigentes.
A Uefa já avisou que não adotará as pausas para hidratação em seus torneios oficiais. A Europa, aliás, já iniciou um movimento de rebelião contra Infantino, com a Alemanha se recusando a apoiar a reeleição do cartola à presidência da Fifa.
As entidades do continente estão indignadas com anulação da suspensão de Folarin Balogun, dos Estados Unidos, que havia sido expulso jogo diante da Bósnia e Herzegovina, mas acabou liberado para jogar as oitavas de final contra a Bélgica, após pressão pública feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que a punição ao atleta fosse cancelada.
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Trump confirmado na final
E por falar em Trump, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou que ele planeja viajar a Nova York para acompanhar a final da Copa, no próximo domingo (19).
Costuma ser de praxe que o mandatário do país-sede participe da cerimônia em que a equipe vencedora é premiada.
Portanto, melhor já ir se acostumando a ver a imagem de Trump eternizada nesse momento histórico do futebol.
E a trajetória da humanidade nos ensina é que momentos históricos tanto podem ser sublimes ou aterrorizantes, dependendo do ponto de vista de que acompanha tais acontecimentos.
Bap x Leila
As desavenças entre os presidentes do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, e do Palmeiras, Leila Pereira, parecem não ter fim.
O clube rubro-negro acionou a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), agência criada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para cuidar do Fair Play Financeiro no futebol brasileiro, buscando contestar a possível venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Vasco ao empresário Marcos Lamacchia, enteado de Leila.
O Flamengo quer que o negócio seja vetado, sob o argumento de que Leila passaria a ter influência sobre mais de um clube, tendo em vista que é madrasta do futuro investidor do Vasco, além de que seu esposo José Roberto Lamacchia é dado como provável avalista na negociação com o Gigante da Colina.
Em meses recentes, Bap deu declarações públicas criticando o empréstimo feito pela Crefisa à equipe cruz-maltina, além de haver disparado contra a possível venda da SAF ao enteado de Leila, fato que enfureceu não apenas a dirigente palmeirense, como também o ex-jogador Pedrinho, presidente do clube associativo do Vasco.
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O mandato de Leila Pereira no Palmeiras chegará ao fim em dezembro do ano que vem.
Rodrigo Ferrari é jornalista da Máquina do Esporte desde 2022. Formado pela Universidade de São Paulo (USP), atua com política desde 2010
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