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Rodrigo Ferrari - Catanduva (SP)

Estação Central

6 min de leitura

Análise

Pressão dos EUA foi decisiva para Fifa adotar política de preços dinâmicos de ingressos na Copa 2026

Decisão, que resultou na disparada dos valores no decorrer do torneio, contrariou dirigentes mais antigos da entidade máxima do futebol

Rodrigo Ferrari - Catanduva (SP) • Colunista

17/07/2026 07h35

Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante entrevista coletiva - Divulgação / Fifa

Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante entrevista coletiva - Divulgação / Fifa

⚡ Máquina Fast
  • Copa do Mundo de 2026 registra recordes históricos e preços de ingressos astronômicos devido à política de preços dinâmicos da Fifa.
  • A Fifa priorizou o lucro extremo e flexibilizou regras esportivas, gerando críticas de torcedores e dirigentes europeus, como a Uefa.
  • Conflito entre Flamengo e Palmeiras envolve contestação da venda da SAF do Vasco, motivada por influência da família da presidente palmeirense Leila Pereira.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

A Copa do Mundo de 2026, que está em vias de acabar, certamente será lembrada pelos muitos recordes quebrados, que vão desde o número de seleções participantes até o público nos estádios, sem contar as marcas pessoais de alguns atletas, caso de Lionel Messi, que se tornou o maior artilheiro dos Mundiais até aqui, com 21 gols marcados, um a mais que Kylian Mbappé.

Alguns recordes desta edição foram de fato assombrosos, em especial o dos preços dos ingressos, que atingiram patamares nunca antes vistos, mesmo em um torneio dessa categoria.

Para a final entre Espanha e Argentina, as entradas para alguns setores estão sendo comercializadas por cerca de US$ 34 mil.

Essa situação é resultado da política de preços dinâmicos de ingressos adotada pela Federação Internacional de Futebol (Fifa), nesta Copa. Foi a primeira vez que o modelo de precificação entrou em vigor em um torneio da entidade.

A Máquina do Esporte apurou que o sistema de preços dinâmicos estava longe de ser uma unanimidade dentro da Fifa.

Na verdade, diretores mais antigos da instituição rechaçavam a ideia, por temerem justamente que isso pudesse resultar numa disparada dos valores, especialmente em situações favoráveis à especulação por conta da forte demanda (fato visto, por exemplo, na semifinal entre México e Inglaterra, quando ingressos de setores premium chegaram a atingir um preço de revenda de US$ 36 mil).

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Conforme a Máquina do Esporte apurou, o modelo flexível acabou sendo adotado, mesmo sem unanimidade na direção da Fifa, por pressão dos Estados Unidos, país que recebeu a maioria dos 104 jogos do Mundial e que passou a ditar de fato dos rumos da entidade, desde a eclosão do escândalo do Fifagate, na década passada, quando o FBI prendeu uma série cartolas influentes, alterando para sempre a correlação de forças na dinâmica do poder no futebol mundial.

Flexibilizar para lucrar

A estratégia adotada pela Fifa nesta Copa foi a de flexibilizar para lucrar. A entidade projeta faturar cerca de US$ 16 bilhões no Mundial de 2026, mas alguns especialistas estimam que as receitas podem bater a casa do US$ 19 bilhões.

Ingressos com preços astronômicos são um dos fatores que ajudaram a Fifa a lucrar como nunca na edição atual do torneio.

Que Copa do Mundo é um grande negócio, isso é algo público e notório, desde os tempos em que brasileiro João Havelange presidiu a entidade, entre 1974 e 1998.

Há de se reconhecer, porém, que mesmo priorizando as receitas, a entidade sempre procurou respeitar alguns limites, de modo a que os interesses comerciais não sobrepujassem a parte esportiva.

Em 2026, Gianni Infantino e sua trupe flexibilizaram (ou melhor, rasgaram) algumas regras básicas do futebol, buscando criar novas formas de faturar. Querer lucrar não chega a ser um problema, desde que essa sanha não seja tão escancarada a ponto de ofuscar o próprio jogo que é disputado em campo.

As famigeradas pausas para hidratação, que tanto têm sido vaiadas nos estádios, são um exemplo claro desse tipo de situação, assim como o show do intervalo na final da Copa, que irá ultrapassar o prazo máximo estabelecido pela na regra número 7 da International Football Association Board, que é de 15 minutos.

Custo elevado

Encerrada a Copa, Infantino certamente virá a público celebrar o faturamento estrondoso e os recordes de público e audiência do torneio em 2026, ignorando, no entanto, o enorme mal-estar que isso tudo tem provocado não apenas entre os fãs do esporte mais popular do planeta, mas com os próprios dirigentes.

A Uefa já avisou que não adotará as pausas para hidratação em seus torneios oficiais. A Europa, aliás, já iniciou um movimento de rebelião contra Infantino, com a Alemanha se recusando a apoiar a reeleição do cartola à presidência da Fifa.

As entidades do continente estão indignadas com anulação da suspensão de Folarin Balogun, dos Estados Unidos, que havia sido expulso jogo diante da Bósnia e Herzegovina, mas acabou liberado para jogar as oitavas de final contra a Bélgica, após pressão pública feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que a punição ao atleta fosse cancelada.

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Trump confirmado na final

E por falar em Trump, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou que ele planeja viajar a Nova York para acompanhar a final da Copa, no próximo domingo (19).

Costuma ser de praxe que o mandatário do país-sede participe da cerimônia em que a equipe vencedora é premiada.

Portanto, melhor já ir se acostumando a ver a imagem de Trump eternizada nesse momento histórico do futebol.

E a trajetória da humanidade nos ensina é que momentos históricos tanto podem ser sublimes ou aterrorizantes, dependendo do ponto de vista de que acompanha tais acontecimentos.

Bap x Leila

As desavenças entre os presidentes do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, e do Palmeiras, Leila Pereira, parecem não ter fim.

O clube rubro-negro acionou a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), agência criada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para cuidar do Fair Play Financeiro no futebol brasileiro, buscando contestar a possível venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Vasco ao empresário Marcos Lamacchia, enteado de Leila.

O Flamengo quer que o negócio seja vetado, sob o argumento de que Leila passaria a ter influência sobre mais de um clube, tendo em vista que é madrasta do futuro investidor do Vasco, além de que seu esposo José Roberto Lamacchia é dado como provável avalista na negociação com o Gigante da Colina.

Em meses recentes, Bap deu declarações públicas criticando o empréstimo feito pela Crefisa à equipe cruz-maltina, além de haver disparado contra a possível venda da SAF ao enteado de Leila, fato que enfureceu não apenas a dirigente palmeirense, como também o ex-jogador Pedrinho, presidente do clube associativo do Vasco.

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O mandato de Leila Pereira no Palmeiras chegará ao fim em dezembro do ano que vem.

Rodrigo Ferrari é jornalista da Máquina do Esporte desde 2022. Formado pela Universidade de São Paulo (USP), atua com política desde 2010

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