Como sede da Copa do Mundo de 2026, Seattle busca unir a sua potência corporativa, marcada pela presença de algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo na cidade, com uma cultura esportiva que desafia o estereótipo do torcedor norte-americano.
Além disso, a cidade, que receberá seis partidas do Mundial, incluindo um jogo da seleção dos Estados Unidos no feriado de Juneteenth, que celebra o fim da escravidão no país em 19 de junho, pretende usar o evento como catalisador para uma transformação urbana e econômica significativa.
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Localizada na região de Puget Sound, Seattle ainda estima que a Copa do Mundo gerará um impacto econômico superior a US$ 929 milhões para o Condado de King. Esse montante é justificado pela expectativa de receber cerca de 750 mil visitantes, o que deve promover mais de 20 mil empregos e injetar receitas fiscais relevantes para a economia local.
Para viabilizar essa operação, a cidade também aposta em uma estratégia que une a modernização do transporte público, a adaptação técnica de sua arena e um modelo de negócios que envolve a comunidade local e as populações nativas.
Acústica do Lumen Field
O estádio que representará Seattle na Copa do Mundo será o Lumen Field, casa do Seattle Seahawks, da NFL, e do Seattle Sounders, da MLS, que adotará o nome genérico de Seattle Stadium para cumprir as normas de “arena limpa” da Fifa durante o Mundial.
Conhecido por sua acústica, projetada intencionalmente pelo falecido proprietário Paul Allen para amplificar o ruído da torcida, o estádio conta com coberturas parabólicas em sua estrutura que refletem o som de volta para o gramado. Essa engenharia, inclusive, já chegou a provocar registros de atividade sísmica durante jogos da NFL, em um fenômeno que ficou conhecido como “Beast Quake”.
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Para se adequar aos padrões da Copa, o estádio passou por reformas avaliadas em US$ 19,4 milhões. A mudança mais significativa foi a conversão da superfície de grama artificial para um sistema híbrido de grama natural costurada. Diferentemente de soluções paliativas, a obra envolve a instalação de sistemas de ventilação a vácuo e irrigação subterrânea, além do uso extensivo de luzes de crescimento artificiais para garantir a qualidade do gramado.
Além do campo, a estrutura de arquibancada também sofreu alterações. A tradicional “Hawks Nest”, composta por bancos de alumínio, recebeu assentos individuais com encosto, uma exigência da Fifa que permanecerá como legado permanente de conforto para os torcedores locais após o torneio.
Cultura esportiva
Diferentemente de outras sedes que buscam construir uma tradição no futebol, Seattle já se considera uma cidade consolidada na modalidade. Isso porque o Seattle Sounders conta com uma base de fãs relevante, que criam um ambiente no estádio similar ao que se observa na Europa e na América do Sul.
O cenário esportivo da cidade ainda vive um momento de alta valorização. Além dos Sounders, a cidade abriga o Seattle Seahawks, da NFL, que é o atual campeão do Super Bowl. A lista de franquias esportivas inclui também o Seattle Mariners, da MLB; o Seattle Kraken, da NHL; e o Seattle Storm, da WNBA.
A cidade também investiu US$ 1,7 milhão na renovação dos campos da Seattle University e da University of Washington para servirem como centros de treinamento para as seleções durante a Copa do Mundo, garantindo que o gramado dessas instalações repliquem exatamente as condições do estádio que receberá os jogos.
Negócios e tecnologia
A estratégia comercial de Seattle para a Copa do Mundo de 2026 reflete a identidade corporativa da região. Executivos de gigantes locais como Amazon, Microsoft e Starbucks integraram o comitê da candidatura, com a Microsoft fornecendo infraestrutura tecnológica e a Starbucks planejando ativações comunitárias.
Para evitar que os lucros do evento fiquem concentrados apenas nessas grandes corporações, a organização lançou a “World Cup Small Business Initiative”, criando guias estratégicos para que pequenos empresários possam capitalizar sobre o turismo sem violar as regras de propriedade intelectual da Fifa.
Um diferencial da cidade é o acordo firmado com a Tribo Puyallup de Índios, que atua como “Apoiadora Oficial de Legado”, em uma parceria que garante visibilidade global para a cultura indígena durante o evento. O acordo prevê que a tribo conte sua história “em sua própria voz” e formaliza o reconhecimento de terra nas cerimônias oficiais, integrando a língua “Lushootseed” e as tradições “Coast Salish” à marca do torneio.
Logística e legado
O planejamento logístico de Seattle enfrenta o desafio de sua geografia complexa. A cidade aposta na expansão do sistema “Link Light Rail” e na modernização do Aeroporto Internacional de Seattle-Tacoma, que investiu US$ 4,4 bilhões em melhorias para melhorar a experiência dos passageiros.
A agência regional Sound Transit planeja operar os trens com intervalos de 8 minutos em dias de jogos, tratando cada partida com a complexidade operacional de um Super Bowl.
Além disso, para conectar o estádio ao local da Fan Fest oficial, que ocorrerá no Seattle Center, a cidade criou o conceito de “Unity Loop”, uma rota pedestre de cerca de 6,4km projetada para dispersar multidões e ativar a economia de bairros como Pioneer Square e Chinatown, incentivando o consumo descentralizado.
